Mostrando postagens com marcador Nordeste. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nordeste. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

1 Chico Anysio

Chico Anysio, nome artístico de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, (Maranguape, Ceará, 12 de abril de 1931) é um humorista, ator, escritor e pintor brasileiro, notório por seus inúmeros quadros e programas humorísticos na Rede Globo, onde possui contrato até 2012. Ao lado de Chacrinha e Boni, Chico é considerado um dos maiores nomes de todos os tempos da televisão brasileira. Trabalhou ao lado ou mesmo dirigindo os maiores nomes do humor brasileiro no rádio ou na televisão, como: Paulo Gracindo, Grande Otelo, Costinha, Walter D'Ávila, Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro, Ivon Curi, entre muitos outros brilhantes humoristas.
Mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha oito anos. Iniciou no rádio na Rádio Guanabara, onde exercia várias funções: rádioator, comentarista de futebol, etc. Participou do programa Papel carbono de Renato Murce.Trabalhou, nos anos cinqüenta, nas rádios "Mayrink Veiga", "Clube de Pernambuco", "Clube do Brasil". Nas chanchadas da década de 50, Chico passou a escrever diálogos e, eventualmente, atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica.
Na TV Rio estreou em 1957 o "Noite de Gala". Em 1959, estreou o programa Só tem tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, mais tarde chamado de Chico Anysio Show. Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, televisão e cinema, sempre com humor fino e inteligente, Chico se aventurou com relativo destaque pelo jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções: Hino ao Músico, (Nanci Wanderley, Chico Anysio e Chocolate), foi prefixo do seu programa Chico Anysio Show, nas TV Excelsior, TV Rio e TV Globo e nos espetáculos teatrais, como o do Ginástico Português, no Rio em 1974, acompanhado sempre do violonista brasileiro Manuel da Conceição - O mão de vaca; Rancho da Praça XI, Chico Anysio e João Roberto Kelly, gravado pela cantora Dalva de Oliveira. A música fez grande sucesso no carnaval do IV Centenário do Rio de Janeiro, isto é, fevereiro de 1965; Vários sucessos com seu parceiro Arnaud Rodrigues, gravados em discos e usados no quadro de Chico City Baiano e os Novos Caetanos.
Desde 1968, encontra-se ligado a Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num "cast" que contava com os artistas mais famosos do Brasil; e graças também a relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni. Após a saída de Boni da Globo nos anos 90, Chico perdeu paulatinamente espaço na programação, situação agravada em 1996 por um acidente em que fraturou a mandíbula.
Em 2005, fez uma participação no Sítio do Picapau Amarelo, onde interpretava o Doutor Saraiva e, recentemente, participou da novela Sinhá Moça, na Rede Globo.
É pai dos atores Lug de Paula, do casamento com a atriz Nanci Wanderley, Nizo Neto e Ricardo, da união como Rose Rondelli, André Lucas, que é filho adotivo, Cícero, da união com ex-frenética Regina Chaves e Bruno Mazzeo, do casamento com a atriz Alcione Mazzeo. Também teve mais dois filhos com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, Rodrigo e Vitória. É irmão da também atriz Lupe Gigliotti com quem já contracenou em vários trabalhos na TV, do cinesta Zelito Viana e do industrial, compositor e ex produtor de rádio Elano de Paula. Também é tio do ator Marcos Palmeira.


                                                                                    Fonte:letras.com.br
                             postado por tony josé segunda-feira,12 de dezembro de 2011

                               

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

0 Rapadura

Rapadura é um doce de origem açoriana ou canária em forma de pequenos tijolos, com sabor e composição semelhantes ao açúcar mascavo. Fabricada em pequenos engenhos de açúcar, surgiu no século XVI como solução para transporte de açúcar em pequenas quantidades para uso individual. Como o açúcar granulado umedecia e melava facilmente, os tijolos de rapadura eram facilmente acomodados em sacolas de viajantes, resistindo durante meses a mudanças atmosféricas.
A rapadura é feita a partir do caldo de cana após moagem, fervura, moldagem e secagem. É um alimento considerado mais nutritivo que o açúcar refinado pois enquanto este é quase exclusivamente sacarose a rapadura possui diversas outras substâncias nutritivas em sua composição.[1]

Regiões de consumo

Rapaduras empilhadas
É típica do Nordeste do Brasil e de diversas outras regiões da América Latina,[2] onde recebe diferentes nomes como panela (Colômbia, Venezuela, México, Equador e Guatemala), piloncillo (México), papelón (Venezuela e Colômbia), chancaca (Bolívia e Peru), empanizao (Bolívia) ou tapa de dulce (Costa Rica). O nome rapadura (ou a variação raspadura) é utilizado também na Argentina, na Guatemala e no Panamá. Seu uso também é disseminado na Índia. Sua utilidade é extensa e varia de acordo com os hábitos culturais de cada região que utiliza. No Brasil é basicamente utilizada em substituição ao açúcar ou para consumo direto, em lascas, como sobremesa. No passado a rapadura era um alimento para os escravos. No Nordeste brasileiro foi muito utilizada pelo sernanejo, junto com a farinha, para ser consumida no local de trabalho; também era considerada como "comida de pobre",
Em outras regiões da América Latina pode ser usada como medicamento, na receita básica de determinados drinks ou até de molhos para acompanhar pratos salgados.


                                                                                Fonte:wikipedia.org


                                   postado por tony josé sexta-feira,9 de dezembro de 2011


terça-feira, 29 de novembro de 2011

0 ARIANO SUASSUNA

Nasceu na cidade de João Pessoa, Paraíba, no dia 16 de junho de 1927, filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e Rita de Cássia Dantas Villar.
Fez o curso primário no município de Taperoá, PB. Em1942, a família Suassuna se transfere para o Recife e Ariano vai estudar no Ginásio Pernambucano e depois no Colégio Oswaldo Cruz.
Em 1946, entrou para a Faculdade de Direito do Recife,onde conheceu um grupo de escritores, atores, poetas, romancistas e pessoas interessadas em arte e literatura, entre os quais, Hermilo Borba Filho, com o qual Ariano fundou o Teatro de Estudantes de Pernambuco. Concluiu o curso de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1950.
Em 1947, escreveu sua primeira peça de teatro, Uma mulher vestida de sol, baseada no romanceiro popular do Nordeste brasileiro e com ela ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno, em 1948.
No dia 19 de janeiro de 1957, casa-se com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos: Joaquim, Maria, Manoel, Isabel, Mariana e Ana.
Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do qual fez parte de1967 a 1973 e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de1968 a 1972.
Foi nomeado, em 1969, Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ficando no cargo até 1974. Lança no dia 18 de outubro de 1970 o Movimento Armorial, com o concerto Três séculos de música nordestina: do barroco ao armorial, na Igreja de São Pedro dos Clérigos e uma exposição de gravura, pintura e escultura.


De 1975 a 1978 foi Secretário de Educação e Cultura do Recife. Doutorou-se em História pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1976. Foi professor da UFPE por 32 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira.
Em agosto de 1989, foi eleito por aclamação para a Academia Brasileira de Letras, tomando posse em maio de 1990, na cadeira número 32, que pertenceu ao escritor Genolino Amado. Dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta, defensor incansável da cultura popular, das raízes brasileiras e, especialmente nordestina, é autor de várias obras:
Uma mulher vestida de sol (1947): O desertor de Princesa (1948); Os homens de barro(1949, inédita); Auto de João da Cruz (1949); O arco desabado (1952); Auto da Compadecida (1955); O santo e a porca (1957); O casamento suspeitoso (1957); A pena e a lei (1959); Farsa da boa preguiça(1960); A caseira e a Catarina (1962); Romance d’a pedra do reino e o príncipe de sangue do vai-e-volta (1971, traduzida para o inglês, alemão, francês, espanhol, polonês e holandês).



                                                                  Fonte:fundação joaquim nabuco
  
                             postado por tony josé terça-feira,29 de novembro de 2011

 

domingo, 13 de novembro de 2011

0 Banda de Pífano

É um conjunto instrumental de percussão e sopro, dos mais antigos, característicos e importantes da música folclórica brasileira. Historicamente o pífano remonta à época dos primeiros cristãos, que tinham no pífano, pifes ou pífora, uma maneira de saudar a Virgem Maria nas festas natalinas. Na feição nordestina a banda de pífanos é uma criação do mestiço brasileiro, que com sua criatividade e intuição musical adaptou o instrumental, dando-lhe a forma típica pela qual é conhecida no folclore brasileiro.

Por toda a região Nordeste do Brasil e nos estados de Minas Gerais e Goiás são usados várias termos para denominar o conjunto: Banda de Pífanos, Banda de Pife, Música de Pife, Zabumba, Cabaçal, Esquenta-Mulher, Banda de Negro, Terno, Banda de Couro (Goiás), Musga do Mato, Pipiruí ( Minas Gerais).

Assim como a sua denominação varia, a sua composição também tem sensíveis diferenças, mas seus instrumentos básicos são dois pífanos, um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba.

Em Pernambuco, é composta por dois pífanos, uma caixa, um bombo, um surdo e um tambor.

Em Alagoas, além dos instrumentos básicos acrescenta-se um par de pratos e em certos grupos um triângulo e até um maracá para maior sonoridade.

No Ceará, também acrescentam-se prato e triângulo e em Sergipe o triângulo e o ganzá.

Em Goiás, a Banda de Couro, como é chamada, é composta por bombo, caixa ou tarol e viola.

O pífano é o comandante da banda. É um instrumento semelhante à flauta, feito de taquara, uma madeira muito comum nas matas do sul de Pernambuco. É encontrado em três tamanhos: 65cm a 70cm, chamado Régua Inteiro, 50cm, oTrês Quartos e o de 40cm, Régua Pequena. O som do pífano muda de acordo com o tamanho. Cada pífano tem sete orifícios, sendo seis para os dedos e um para os lábios (sopro). O segredo, tanto da confecção quanto da execução do pífano, é passado de pai para filho.

Os componentes das bandas são, na sua maioria, trabalhadores rurais que se ocupam da agricultura de subsistência, trabalhando no "alugado", ou cultivando sua pequena roça. Reúnem-se antes de cada apresentação e repassam o repertório. Não têm formação musical e tudo o que tocam é de ouvido. Entre as músicas mais executadas estão Asa Branca, Valsa, Mulher Rendeira, A Briga do Cachorro com a Onça, Sabiá, Guriatã de Coqueiro, A Ema Gemeu no Pé do Juremá, entre outras. Há várias bandas de pífanos pelo Nordeste, mas uma das mais conhecidas é a de Caruaru, fundada pelos irmãos Biano, Sebastião e Benedito, em 1924, que já tocou até para Lampião em Tacaratu, quando o cangaceiro foi pagar uma promessa.


                                                       FONTE: FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO

                                                  postado por tony josé domingo,13 de novembro de 2011 

sábado, 5 de novembro de 2011

0 Vaquejada


É a festa mais tradicional do ciclo do gado no Nordeste do Brasil, sendo atualmente um acontecimento urbano e público, que atrai grande número de curiosos. Consiste na reunião do gado nos fins do inverno, para beneficiamento, castração, ferra, tratamento de feridas.




Antigamente a festa tinha a finalidade prática da apartação, que era a divisão do gado entre os fazendeiros. O gado era criado solto em pastos comuns, parecendo não ter dono. No mês de junho, era conduzido para os grandes currais. Uma parte do gado era guardada ou reservada para a derrubada, ou seja, a vaquejada propriamente dita, o folguedo de derrubar o animal pela cauda, indo o vaqueiro de cavalo. O boi (ou a vaca) era tangido para fora da porteira, correndo ao seu lado sempre dois cavaleiros. O da esquerda chamado esteira tinha a função de manter o animal numa determinada direção, numa certa linha reta e o da direita é o que tentaria derrubá-lo e a quem caberia todas as honras da aclamação. Emparelhado com o animal em disparada, o vaqueiro segura-lhe a cauda dando um forte puxão (a puxada), afastando ao mesmo tempo o cavalo. É o que se chama mucíca, saiada ou arrasto.

 

Desequilibrado, o animal cai, com as patas para cima, numa queda completa, triunfal conhecida como mocotó passou. Se depois de derrubada a rês rola no chão, gritam e aplaudem: - Embolou! Quando o vaqueiro não consegue derrubá-lo, fugindo o animal ileso da puxada, recebe vaias, zombarias, batidas de bombo ou pratos, o que é conhecido como botou o boi no mato, ganhou os paus, ganhou a madeira, caiu no marmelo, sumiu na poeira, deu adeus ao rabo. Nesse caso dizem que o vaqueiro levou féde (do verbo feder).

No Brasil não se tem registro da vaquejada antes de 1870. Acredita-se que a vaquejada, caracterizada pela saiada, puxão pela saia, queda-de-rabo, tenha origem espanhola. O seu emprego era habitual entre os cioulos, mestiços, espanhóis nascidos na América, mas não entre os indígenas, que manejavam o ferrão e dominavam o gado com a garrocha (pau com ferro farpado numa extremidade).

A derrubada do boi pela cauda popularizou-se rapidamente pelo Nordeste brasileiro, por causa do tipo de vegetação das caatingas e carrascais, entrançados de cipós, juremas e marmeleiros, que impossibilitam o espaço livre para o lançamento do laço ou boleadeiras, muito utilizados para a derrubada do boi nos pampas do Rio Grande do Sul.

Fora da exibição das vaquejadas, o vaqueiro persegue e derruba o animal para colocar-lhe o chocalho, mascará-lo, peá-lo e levá-lo para o curral, havendo lances dramáticos nas derrubadas feitas nas caatingas, sem testemunhos e sem aplausos.

                   FONTE: Fundação Joaquim Nabuco

   postado por tony josé sábado,5 de novembro de 2011                                                         



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

0 Artesanato do Nordeste do Brasil


O primeiro artesão foi Deus, que, depois de criar o mundo todo, pegou o barro e fez Adão.
(artesão anônimo da Paraíba)

A arte é uma das manifestações mais antigas do ser humano, tendo a sua origem na era paleolítica (12.000 a.C.), quando o homem primitivo vivia em bandos nômades dependendo da caça e da coleta de alimentos para sobreviver. O homem de Pequim e o de Neandertal, por exemplo, já sabiam pintar e fabricar instrumentos de pedra, de osso e de madeira. Como prova disso, estão as paredes das grutas e cavernas da França e da Espanha (Lascoux, Niaux, Altamira e tantas outras), representando a fauna daquela época (cavalos, bisões, mamutes e renas).
Com a vinda de artistas e artesãos portugueses para o Brasil, durante o século XVI, a produção artesanal deixa de ser, apenas, uma manifestação artística e adquire um status profissionalizante. A expressão arte popular, porém, foi usada primeiramente pelo pesquisador japonês Soetsu Yanagi, em 1926. Ele criou o termo mingei (min = povo; gei = arte), para designar os trabalhos elaborados pelos artistas populares desconhecidos, que tinham em comum a simplicidade e um estado de espírito desengajado da idéia de beleza ou feiúra.



Hoje, os estudiosos do assunto definem artesanato como sendo qualquer objeto comercializável, fruto de um trabalho predominantemente manual, feito com a ajuda de ferramentas simples ou máquinas rudimentares, que se baseia em temática popular e utiliza a matéria-prima local ou regional. Para se inserir na categoria artesanato, então, o objeto necessita ainda: ser produzido na casa do próprio artesão ou em alguma cooperativa do artesão, englobar um número reduzido de peças, ser proveniente de concepção e execução individual, familiar ou grupal, e ter sido elaborado sob o regime de não assalariamento.
E o II Encontro Nacional do Artesanato, ocorrido no final de 1979, define o artesão como sendo aquele indivíduo que produz objetos manualmente, sem utilizar moldes repetitivos, com o auxílio de ferramentas simples ou máquinas não automatizadas, e usando matéria prima regional. O objeto criado, por sua vez, deve transmitir aspectos da cultura regional e exprimir originalidade étnica e geográfica.


Remanescente do processo pré-industrial de produção, a elaboração artesanal consiste em um sistema de produção que se situa entre a arte popular e a pequena indústria. Tal sistema está subordinado ao meio ambiente, ou seja, à abundância local de determinada matéria prima, e representa uma alternativa de emprego e renda firmada na tradição: o indivíduo produz determinado objeto, de uma determinada forma, porque os seus pais e avós faziam assim.
Neste sentido, a característica de artesanal não recai sobre o produto, porém sobre o sistema específico através do qual o produto é elaborado, vinculando-se à necessidade que o ser humano possui de individualização, de não padronização, em um mundo que se apresenta cada vez mais massificado. E a confecção de objetos, por intermédio de técnicas primitivas, fica atrelada a uma temática relativamente nova: a do folclore.
O Brasil, por ser muito extenso e ter sofrido a influência de diversos povos, possui uma produção artesanal bastante rica e diversificada, que varia de região para região. No Nordeste, em particular, é uma das importantes atrações turísticas. Para elaborar os artesanatos, os nordestinos utilizam vários materiais oriundos da flora e da fauna nativas, tais como:

1.                  palha (de bananeira, de brejauva, de milho);
2.                  juta
3.                  fibra do tronco do mandioqueiro; de taboa; fio da folha da piteira;
4.                  cipó de bambu, taquara, cipó-caboclo, cipó-imbé, cipó-uma, flexa de ubá;
5.                  bambu;
6.                  bucha;
 7.               cera de abelha-cachorro ou abelha-europa;
8.                  semente de planta nativa (como a lágrima-de-nossa-senhora);
9.                  vime (vara tenra e flexível do vimeiro);
10.              areia colorida;
11.              tinta de casca de árvore (urucum, safroa, anil do mato, aroeira, murici, imbiruçu);
12.              pedra;
13.              concha;
14.              barro;
15.              casca de coco;
16.              chifre;
17.              couro;
18.              tecido;
19.              pena;
20.              linha;
21.              madeira (cedro, vinhático, jaqueira, aroeira, peroba, jequitibá, canela e outros);
22.              osso;
23.              dente;
24.              flandre;
25.              casca de tartaruga;
26.              sucata, entre outros elementos.

Cada material ou grupo de materiais dá origem a um tipo ou variedade de produto artesanal, onde os temas e modelos advêm do próprio grupo social. A tradição barrista dos índios, por exemplo, juntamente com a incorporação das experiências trazidas pelos europeus e africanos, muito contribuiu para o desenvolvimento do artesanato do barro. Nele, costuma-se empregar alguns elementos, encontrados no meio ambiente, tais como o massapé (de cor preta), o tauá (de cor amarela), e o caulim (de cor branca), todos eles passíveis de formar ligas maleáveis e de queimar com segurança.
Os produtos artesanais, em cada estado, sofrem variação de acordo com a presença e/ou abundância dos materiais. As tribos indígenas do Maranhão, em particular, elaboram objetos com palhas de plantas, madeiras e penas de pássaros. O estado produz doces de frutas nativas, além de sucos (de murici, bacuri e buriti); cerâmica figurativa (no Vale do Parnaíba); cerâmica utilitária (em Apiaí); rendas de almofadas (em Guimarães, São Luís, Humberto de Campos e Praia do Raposo); cestarias (em Barreirinhas); e tecelagem e redes de dormir(em Alcântara, Pinheiros, São Bento e Barreirinhas).
Em se tratando de rendas - herança dos portugueses - o Nordeste produz os seguintes tipos: de bilros, labirinto, crochê, irlandesa, renascença e filé. Por outro lado, os bordados mais comuns são: labirinto, ponto-de-cruz, ponto-cheio, rococó, richelieu e redendê. Seguindo uma tradição advinda dos tempos coloniais, as noivas continuam encomendando rendas e peças bordadas para os seus enxovais.
Nos municípios de Marechal Deodoro e Pontal da Barra, em Alagoas, as mulheres efetuam bordados sobre o linho branco. Em Caldas de Cipó e Tucano, é possível apreciar a confecção de rendas (de bilros, labirintos e filés), e a tecelagem ornamental. Em Palmeira dos Índios, Porto Real do Colégio, Água Branca e Igreja Nova fabricam-se peças de barro: potes, jarras pintadas com tauá vermelho e branco e moringas em formatos antropomórficos. E os municípios de Tanque d’Arca, Penedo e Passo de Camaragibe produzem peças de cerâmica.
Muitos artefatos de pesca são fabricados em 34 municípios de Alagoas, particularmente em Coqueiro Seco, Marechal Deodoro, Santa Luzia do Norte e Paripureira: 13 tipos de redes de pesca, jererés e puçás para pescar crustáceos e peixes pequenos. Igaci e Lagoa do Félix produzem, ainda, alguns instrumentos musicais (como o bombo e a zabumba). Em teares bastante rudimentares, Delmiro Gouveia fabrica redes de algodão e Girau do Ponciano redes em caroá. São Sebastião produz renda de bilros e Maceió tecelagem em labirinto. A renda chamada filé é produzida em Pontal da Barra e Marechal Deodoro. Na Ilha do Ferro, situada a 18 km do município de Pão de Açúcar, a atividade principal das mulheres é o bordado "Boa Noite", o único no Brasil.
Em Catolé do Rocha, na Paraíba, os artesãos produzem batique, uma pintura feita à base de tinta e cera de abelha, e uma variedade de rendas e de redes. São Mamede fabrica uma cerâmica especial, onde o barro é vitrificado pela própria natureza. O artesanato de barro, do tipo lúdico (bois, cavalos, elefantes, bonecos e mobiliário infantil), pode ser encontrado em Patos. Osbrinquedos de qualidade, confeccionados em madeira, latas ou sobras de outros materiais, são fabricados em Itabaiana. Juarez Távora e Juripiranga produzem cestarias, trançados e tecelagem (crivos, labirintos e rendas). Os trançados podem ser apreciados, ainda, em Salgado e Serra Redonda.
No Piauí (em Pedro II, Simplício, Mendes, Parnaíba, Oeiras, Floriano e Teresina) encontram-se os grandes centros produtores de cerâmica decorativa: moringas, potes, alguidares, pratos e panelas. Aquele Estado confecciona também objetos com fibras de buriti, tábua, tucum, carnaúba e agave (em Campo Maior e Piracuruca). As cestarias e trançados são produzidos em Parnaíba (o maior centro produtor). O município de Pedro II é o mais expressivo centro de produção de tecelagem artesanal. Às margens do rio Parnaíba, encontra-se uma variedade de artesanatos feitos com palha de coco babaçu, assim como esteiras de folha de carnaúba ou babaçu, para funcionar como divisórias de cômodos em casas humildes. Os troncos de carnaubeiras, por sua vez, são trabalhados para servir de bancos ou depósitos de mantimentos.
Outros municípios do Piauí fabricam objetos em madeira: gamelas, pilões, colheres de pau, santos e anjos. Teresina, Picos e Campo Maior produzem também artigos em couro (malas, arreios, roupa de vaqueiro). O Estado fabrica tecidos com fibras vegetais, bem como rendas, labirintos, bordados, crochês, colchas, tapetes e toalhas.
O município de Neópolis, em Sergipe, representa o grande centro produtor de cerâmica, mais conhecida como cerâmica de carrapicho, onde os objetos apresentam o fundo com motivos de espinha de peixe, contorno de aves, asas de passarinho, pintados com tinta preta e frisos finos. Itabaianinha fabrica muita cerâmica, além de trançados e cestarias (em palha de coco); e em Divina Pastora as mulheres fazem renda irlandesa.
Cascavel, no Ceará, é o maior centro produtor de cerâmica, mas os municípios de Juazeiro do Norte e Sobral também fabricam objetos em barro (como figuras do Padre Cícero e bois pintados com flores). Em Fortaleza, Cascavel, São Mamede, Maranguape, Quixeramobim, Camocim e Aracati, são fabricados rendas e objetos artesanais (chapéus e bolsas); e Caicó produz trabalhos em couro: cartucheiras, selas, chapéus e chicotes, entre outros.
O Ceará produz cestarias e trançados nos municípios de Limoeiro, Russas, Ipu, Aracati, Itaiçaba e Jaguarana. Sobral, em particular, confecciona chapéus com palha de carnaúba. Fortaleza, Araçoiaba, Pacajus e Capistrano fabricam uma tecelagem de qualidade. E Juazeiro do Norte destaca-se pela produção de artefatos em couro, metal e ourivesaria. Cabe ressaltar o município de Itarema, no litoral, onde a população local é remanescente dos índios Tremembé, como uma das poucas regiões nordestinas que não vivenciou o impacto do turismo. Lá, pode-se apreciar a fabricação de redes de fibras (em pequena escala), que é executada em teares verticais rudimentares.
O Rio Grande do Norte utiliza as areias coloridas de suas praias para enriquecer a produção artesanal. O estado produz, também, objetos de palha, e trançados de cipó (bolsas, vassouras, esteiras, abanos e cestas). Santo Antônio dos Barreiros produz a cerâmica decorativa (galos policromados); Mossoró e Nísia Floresta fabricam rendas e cerâmica utilitária; de Caicó saem os artigos em couro; em Luzia, Ana Dantas e Currais Novos são produzidas as esculturas de santos e animais em madeira (sem pinturas); e Júlio Cassiano e Jardim do Seridó fazem santos e bandas de pífano em madeira.
O estado da Bahia é um grande centro produtor de artesanatos em madeira, palha e prata. O município de Maragogipinho produz moringas, jarros e tigelas em cerâmica, feitos com barro amarelo e vitrificados em seu interior. As rendas de almofadas são confeccionadas em Castro Alves e Santa Terezinha; os trabalhos em couro, em Ipirá; as peças utilitárias (em miniatura) em Nazaré das Farinhas; as redes de pesca em Xique-Xique; as colchas de algodão e de seda e espanadores de sisal, em Caldas de Cipó e Tucano. Itiúba fabrica chapéus de fibra, artigos de palha de ouricuri ou ariri, e bolsas de sisal. As cestarias e trançados, em geral, são fabricados na região do Médio São Francisco.
No Mercado Modelo, em Salvador, encontra-se uma grande variedade de produtos artesanais: talhas, estátuas, berimbaus, santos, terços, instrumentos musicais, pilões, frutas, pratos, colheres de pau; e uma série de artigos de metal como facas, sinetas, chocalhos, esporas, castiçais, campainhas, punhais, brasões entre outros. São encontrados, ainda, pilões e colheres de pau, de Porto Seguro; bonecas de pano, caminhões, jipes e carros de bois (feitos em madeira de buriti) da Barra.
O estado de Pernambuco possui uma grande produção artesanal. Na Casa da Cultura, situada no centro do Recife, e no Mercado da Ribeira, em Olinda, é possível apreciar uma amostra dessa produção. Na direção das praias do norte, a famosa tapeçaria Casa Caiada vem sendo elaborada por artesãs locais.
O maior centro produtor de cerâmica é Tracunhaém, um município localizado na Zona da Mata, a 58 km de Recife. Lá, cada casa representa umatelier, onde as pessoas vivem com as mãos na massa, moldando e/ou esculpindo objetos. O município de Goiana também produz muitos objetos em barro (especialmente santos, em tamanhos regulares).

 
De Ibimirim, município do sertão do Moxotó localizado a 380 km de Recife, saem as imagens religiosas em madeira, feitas de troncos de umburana; de Passira, a 109 km da capital, vêm os bordados; e em Caruaru, em pleno agreste pernambucano, são produzidos os bonecos de barro, herança da famosa escola do Mestre Vitalino, assim como uma série de outros objetos em cerâmica, palha e madeira. Todos os sábados, na Feira de Caruaru vêem-se expostos todos os tipos de artesanato, assim como uma grande variedade de trabalhos em couro: trajes típicos de vaqueiro, luvas, cintos, sandálias, bainha para facas, arreios para cavalos, entre outros.
Em Bezerros, pode-se acompanhar a produção de xilogravura (gravura feita em madeira e impressas em papel ou tecido), feita por Amaro Francisco eJ. Borges. Itamaracá produz inúmeros objetos em chifre de boi: anéis, figas, animais, pássaros, navios, peixes, cabos e outros; cestarias e trançados, objetos em pedras e conchas. Itamaracá e Fazenda Nova produzem, ainda, objetos em conchas e pedras; Pesqueira e Poção fazem doces (de goiaba e de tomate), rendas e bordados; e Timbaúba e Taracatu fabricam redes.
Santa Cruz do Capibaribe, localizada a 215 km do Recife, em pleno agreste de Pernambuco, possui uma das economias mais sólidas do Estado, há quatro décadas. Na feira da sulanca, encontram-se as roupas e tecidos mais baratos do Nordeste. O município conta com 1280 estabelecimentos comerciais e, de lá, saem para o restante da região cerca de 1 milhão de metros de jeans,semanalmente, e 500 toneladas de malha por mês. Santa Cruz do Capibaribe possui 38.000 habitantes e 40.000 máquinas de costura.
Nos arredores de Fazenda Nova, ainda no agreste do Estado, encontra-se o Parque das Esculturas: um conjunto de 21 esculturas em rocha granito, elaboradas por artesãos, que pesam entre 10 e 20 toneladas, cada uma delas.
O Programa Nacional de Desenvolvimento do Artesanato, um projeto do Ministério do Trabalho, trouxe novas perspectivas profissionais, econômicas e sociais para um milhão de artesãos. Estes possuem, hoje, uma série de direitos: profissão reconhecida, assistência previdenciária, associação em cooperativas, isenção de tributos e autorização para expor e vender produtos em feiras e mercados.
O trabalho artesanal, no entanto, uma atividade intensamente ocupadora de mão-de-obra no Nordeste, representa uma ocupação secundária e complementar para quem o executa. A cadeia de atravessadores, além do mais, que se estende do produtor até o cliente, contribui para diluir o pequeno lucro do artesão. O criador de riqueza passa a ser, então, o que menos a usufrui. Para ser compensatório, do ponto de vista econômico, a produção artesanal necessita se tornar uma atividade de mercado, deixando de ser, apenas, uma mera atividade de subsistência.

                              FONTE:Fundação Joaquim Nabuco 

          postado por tony josé sextafeira,4 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

1 Folclore_Lenda da Comadre Fulozinha

Comadre Fulozinha, conforme nos ensina o mestre Câmara Cascudo, é um ente mitológico, uma fantástica e misteriosa mulher que vive na floresta, sempre pronta a defender animais e plantas contra as investidas dos predadores da natureza. É uma caboclinha que tem longos cabelos negros, que lhe cobrem o corpo. Ela é caminhante, brincalhona e vive na Zona da Mata de Pernambuco. Consegue desaparecer sem deixar rastro e adora fazer tranças na cauda dos cavalos. Ela protege a caça contra os caçadores, desorientando-os com seus assobios e fazendo com que eles fiquem perdidos na mata. Adora receber presentes como mingau, confeitos e fumo.
  

Uma história da Comadre Fulozinha:
Zeza trabalha com a família há uns 30 e muitos anos. É nossa cozinheira e faz uns quitutes irresistíveis! Cozinha no fogão a lenha, faz canjica, cuscuz de massa, cocada, bode assado, guisado e um pão integral maravilhoso!

Enquanto ela fica cortando rabanete, nabo, picando alho-porró, cortando jambu, conta as histórias deste lugar. Estamos na área rural do município de Gravatá, uma área de transição entre Zona da Mata e Agreste. Neste brejo de altitude, ela nasceu e se criou e conta o que viu e ouviu desde pequena.
Perguntei-lhe sobre a Comadre Fulozinha e ela me disse que seu tio fez um pacto com a Comadre: todos os dias colocaria na mata um prato de barro cheio de mingau de massa de mandioca. Em troca, ela o “deixaria” caçar um animal dentro da mata. Mas somente um. Todos os dias ele mandava sua esposa fazer o mingau. Ela fazia sem questionar, mas ficava sempre um pouco desconfiada. Todos sabem que a Comadre não pode com pimenta. Nem pense em oferecer ou colocar na sua comida que ela fica muito brava!
Um dia, já cansada de fazer o tal mingau, a esposa decidiu colocar pimenta e entregou o prato ao marido sem dizer nada. Naquele mesmo dia, o caçador não encontrou sua caça e se perdeu na mata. De manhãzinha, chegando em casa, perguntou à esposa o que ela havia feito e soube o que ocorrera.
A mesma Zeza conta, ou melhor, perdeu a conta de quantas vezes teve que desatar as tranças das caudas dos cavalos que a tal Comadre Fulozinha fazia. Diz que era tão difícil desatar, chegava a criar calo na ponta dos dedos!



                                                                     FONTE:comadrefulozinha.com.br

                                                        postado por tony josé quinta-feira, 3 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

0 Em meio às belezas do Maranhão, o Homem e a natureza convivem em harmonia

Meireles Junior
SÃO LUÍS - Num lugar onde Jesus é nome de refrigerante, rapaz é gíria usada carinhosamente para se dirigir a homens ou mulheres e os rios no litoral podem estar cheios de manhã e secos à tarde, devido à grande variação de marés, não é de se surpreender que os turistas fiquem encantados. No Maranhão, descobertas assim podem ser feitas na capital, São Luís, e no deserto molhado dos Lençóis Maranhenses, onde lagos cristalinos imperam sobre gigantescas dunas. A cidade do reggae e dos azulejos oferece sensações contrastantes - da agitação ao aconchego, da volta ao passado aos sinais de modernidade. A três horas de carro, a chegada ao céu: um areal deslumbrante convida a esquecer o relógio na gaveta .
No norte do estado, vida urbana e natureza abrem espaço para quem está em busca de intensa atividade ou apenas de um pedacinho de paz. Na ilha de São Luís, dificilmente você se perde no mapa. Há dois lados: o novo e o antigo, separados por pontes, que formam a região turística dos contrastes. Na área moderna, ficam as praias mais badaladas, a Lagoa da Jansen, com bares e quiosques ao redor, e os hotéis. Atravessando o canal, lá está o Centro Histórico, com casarões dos séculos XVIII e XIX e arquitetura de igrejas e palácios e as fachadas cobertas por azulejos, que enchem de orgulho os maranhenses . A capital foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1997. Isso sem falar na rica gastronomia do estado, que abusa dos sabores que vêm do mar .
Meireles Junior
Já se houvesse um título de Paraíso Natural na Terra, seria do vizinho Parque Nacional dos Lençóis. Visto de cima, parece uma imensa pintura de areia com pinceladas de água. É do tamanho da cidade de São Paulo, com 155 mil hectares. Neste deserto molhado a paz é companheira da aventura . O visitante não sofre com o calor típico de regiões áridas: as subidas de até 40 metros são compensadas por mergulhos em lagoas formadas pela água da chuva e dos lençóis subterrâneos.


                                                                                    FONTE:oglobo.globo
                              postado po tony josé terça-feira,1 de novembro de 2011 

0 Folclore do estado do Maranhão

BUMBA-MEU- BOI

Os brancos trouxeram o enredo da festa; os negros, escravos, acrescentaram o ritmo e os tambores; os índios, antigos habitantes, emprestaram suas danças. E a cada fogueira acesa para São João, os festejos juninos maranhenses foram-se transformando no tempo quente da emoção, da
promessa e da diversão. É nesta época de junho, que reina majestoso o
Bumba-meu-boi.



O auto popular do Bumba-meu-boi conta a estória da Catirina, uma escrava que leva seu homem, o nego Chico, a matar o boi mais bonito da fazenda para satisfazer-lhe o desejo de grávida: comer língua de boi. Descoberto o malfeito, manda o Amo (que encarna o fazendeiro, o latifundiário, o "coronel" autoridade) que os índios capturem o criminoso, que, trazido à sua presença, representa a cena mais hilariante da comédia (e também a mais crítica no sentido social). Para ressuscitar o boi, chama-se o doutor, cujos diagnósticos e receitas estapafúrdias ironizam a medicina. Finalmente, ressurgido o boi e perdoado o negro, a pantomima termina numa grande festa cheia de alegria e animação, em que se confundem personagens e assistentes.
Com traços semelhante aos dos autos medievais, a brincadeira do Bumba-Meu-Boi existe em outras regiões do País, mas só no Maranhão tem três estilos, três sotaques, e um significado tão especial. É mais que uma explosão de alegria. É "quase uma forma de oração", servindo como elo de ligação entre o sagrado e o profano, entre santos e devotos, congregando toda a população.
O Bumba-Meu-Boi, na verdade, nasce de pagamento de uma promessa feita ao "glorioso" São João, mas nas festas juninas maranhenses também se rendem homenagens a São Pedro e São Marçal.

tambor de crioula
A tradição do Tambor de Crioula vem dos descendentes africanos. É uma dança sensual, excitante, que apresenta variantes quanto ao ritmo e a forma de dançar, e que não tem um calendário fixo, embora seja praticada especialmente em louvor a São Benedito.
É dançado apenas por mulheres, que fazem uma roda, em cujo centro evolui apenas uma delas. O momento alto da evolução é a "punga" ou umbigada. A punga é uma forma de convite para que outra dançarina assuma a evolução no centro da roda.
O Tambor de Crioula é ritimado por 3 tambores, que recebem os nomes de grande ou roncador (faz a marcação para a punga), meião ou socador (responsável pelo ritmo) e pequeno ou crivador (faz o repicado).

Tambor de Mina
Festa religiosa dos negros Gege-Nagôs, mantida pelos seus descendentes. É o equivalente maranhense do Candoblé da Bahia.
Os instrumentos usados são os tambores: grande ou "rum", médio ou "glupi", menor ou "rumpli" e agogô, além de cabaça com rede de contas. O número de componentes varia de 25 a 40, e a roupa dos brincantes é de tecido de algodão branco enfeitado de rendas da mesma cor. Como adorno, usam vários colares coloridos, de acordo com o santo a que homenageiam.








                                                    FONTE:PORTAL IMPERATRIZ
                        postado por tony josé terça-feira,1 de novembro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

6 O Folclore Do Estado de Alagoas

Folclore

Alagoas se configura como estado que detém a maior diversidade de manifestações culturais populares, com destaque para os 27 tipos de folguedos e danças populares que são fonte de referência para estudiosos e artistas de todo o país. As baianas, o bumba-meu-boi, a cavalhada, o fandango, o guerreiro, pastoril, quilombo e reisado são os mais conhecidos folguedos que compõem o diversificado folclore alagoano:

Reisado

Reisado
Originário da cultura portuguesa, onde era costume a saída de grupos, durante o período natalino, de casa em casa anunciando o nascimento de Jesus, o nosso Reisado é similar ao vasto ciclo de folguedos derivados das "Janeiras" e "Reis", que encontramos no folclore de outros estados brasileiros. 

Fandango

Fandango
Ao contrário do sul do Brasil, onde o fandango é um baile com dança de pares, de origem espanhola, este auto é uma dança dramática com motivo náutico, com forte inspiração portuguesa. Esta influência, aliás, está bem presente nas cores das vestimentas dos participantes (azul e branco) e no acompanhamento das cantigas, executado por violão e cavaquinho.

Bahianas

Bahianas
Oriundo do Sul de Pernambuco, este folguedo penetrou em nossa cultura, inicialmente, como clube de carnaval, fixando-se, posteriormente, como função natalina. É uma modificação rural do Maracatu, em que elementos do Pastoril e dos Côcos se misturam a danças e canções de nítida influência religiosa negra, sem a participação da corte e da boneca, como no caso daquele

Bumba-Meu-Boi

Bumba-Meu-Boi
O Bumba-Meu-Boi é uma manifestação que celebra o boi, representado em quase todo o Brasil, com pequenas variações de nome e estilo. O "boi", uma armação de madeira recoberta de tecido vistoso, é conduzido por dois vaqueiros, entre danças e trejeitos, no meio da multidão. Durante o auto, é comum a apresentação de pequenas coreografias relativas a outros animais. 
Pastoril

Pastoril

De origem lusitana, reproduz peças natalinas defronte a presépios ou em tablados armados com esta finalidade, e é o mais popular e difundido folguedo de Natal no Folclore de Maceió. Em geral, participam apenas moças, (pastorinhas), em númerode doze, ou mais, divididas em dois cordões, o azul e o encarnado, cores que   ostentam nas vestes (faixas, aventais, saias, blusas ou boleros).

Cavalhada

Cavalhada
Realizado em parques especialmente construídos com essa finalidade, praças ou locais amplos, próximos às igrejas, consiste, basicamente, em uma corrida de cavalos, em que os competidores tentam tirar o maior número de argolas suspensas por uma garra. Os competidores, em número de doze, divididos em dois "cordões", iniciam o folguedo com uma visita à igreja ou ao santo, que é colocado num pedestal, enfeitado no local da corrida.

Quilombo

Quilombo
Inicialmente, tido como originário dos acontecimentos na Serra da Barriga, o Quilombo é, na verdade, uma adaptação alagoana de danças que representam lutas, ora entre brancos e negros, ora índios, ora mouros e cristãos. O Quilombo pode ser representado em qualquer época do ano, mas é mais comum em festividades religiosas: de padrociras e natalinas.




                                                               FONTE: GUIA MACEIÓ


                                        postado por tony josé domingo,30 de outubro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

2 Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)


lampião rei do cangaço

Conhecido como o rei do cangaço e o governador do sertão, Virgulino Ferreira da Silva nasceu no dia 7 de julho de 1897, na Fazenda Ingazeira, situada no município de Vila Bela (hoje, Serra Talhada), no sertão de Pernambuco. Foi o segundo filho de José Ferreira da Silva e de Maria Selena da Purificação. O seu nascimento, porém, só é registrado no dia 7 de agosto de 1900. Tinha como irmãos: Antônio, João, Levino, Ezequiel, Angélica, Virtuosa, Maria e Amália. Todos cresceram ouvindo e/ou presenciando estórias de cangaceiros, e Antônio Silvino lhes serve de exemplo maior.

Naquela época, o sertão quase não possuía escolas e estradas, viajava-se a pé, a cavalo, em burro e em jumento. Os denominados coronéis (os proprietários de terras) imperavam sob o peso da prepotência como os verdadeiros chefes políticos, sem nunca sofrer represálias porque a força do Estado estava sempre do seu lado. Neste sentido, eram eles que davam a palavra final, ou seja, elegiam, destituíam, perseguiam, condenavam, absolviam, torturavam e matavam.

Em períodos de crises econômicas, os coronéis recebiam ajuda do Poder Público. Isto era uma recompensa, um benefício recebido, por causa dos eleitores que controlavam mediante os "votos de cabresto" - aqueles votos fornecidos a um candidato, e garantidos pela palavra-de-ordem dos poderosos, que impõem nomeações e asseguram a hegemonia da classe política local, sem se importar com a competência profissional dos nomeados.

lampião rei do cangaço
Apesar de muito inteligente, Virgulino abandona a escola para ajudar a família no plantio da roça e na criação de gado. Torna-se famoso nas vaquejadas. Gosta muito de dançar, de tocar sanfona, compõe versos e adora um rifle. Sabe costurar muito bem em pano e couro e confecciona as próprias roupas.

Ele tinha 19 anos quando entrou para o cangaço. Dizem que tudo começou através de disputas com José Saturnino, membro da família Nogueira e vizinha de terras. Lutando contra essa família durante muitos anos, Virgulino e seus irmãos já se comportavam como futuros cangaceiros, não tardando a entrar em conflito com a polícia. A decisão de viver e morrer como bandido, contudo, só foi tomada, mesmo, quando a polícia mata José Ferreira da Silva - o patriarca da família - enquanto ele debulhava milho.

Em um das primeiras lutas do bando, na escuridão da noite, Antônio (um dos irmãos Ferreira), espantado com o poder de fogo do rifle de Virgulino, que expelia balas sem parar e mais parecia uma tocha acesa, gritou o seguinte:Espia, Levino! O rifle de Virgulino virou um lampião! A partir desse dia, a alcunha do famoso cangaceiro passa a ser Lampião.

Virgulino consegue realizar seu maior sonho, com a intermediação doPadre Cícero Romão Batista: adquirir a patente de capitão, no Batalhão Patriótico do deputado Floro Bartholomeu, o batalhão das forças legais. Além de alimentar sua vaidade pessoal, a patente funcionaria como uma espécie de salvo-conduto, permitindo o bando circular pelas divisas dos estados do Nordeste.

Aproveitando aquela oportunidade, Virgulino solicita, também, para os companheiros Antônio Ferreira e Sabino Barbosa de Melo, os postos de 1o. e 2o. tenentes. Acatada a solicitação, os membros do bando abandonam as roupas costumeiras, vestem a farda de soldado e, como autoridades constituídas, passam a ter o dever - por mais irônico que isto possa soar -, de defender a legalidade e proteger a população nordestina.

Tudo isso foi redigido pelo Padre Cícero e assinado, a pedido deste, no dia 12 de abril de 1926, pelo engenheiro-agrônomo do Ministério da Agricultura, Dr. Pedro de Albuquerque Uchoa. Feliz da vida aos 28 anos de idade, o jovem Capitão Virgulino reúne a família para tirar fotografias.

Maria Bonita

Oficialmente, ele recebe a missão de combater a Coluna Prestes - um grupo de comunistas liderados por Luís Carlos Prestes -, grupo que vinha percorrendo o País durante o governo do presidente Artur Bernardes. No entanto, após se distanciar uns 6 quilômetros de Juazeiro, Lampião decide se embrenhar na caatinga, em busca de combates mais lucrativos, deixando para trás o prometido a Padre Cícero e as responsabilidades para com o Estado. E os soldados do governo foram chamados de "macacos", porque saíam pulando quando avistavam os cangaceiros.

No bando de Lampião tinha indivíduos de todos os tipos: gordos, magros, ruivos, louros, morenos, altos, baixos, negros e caboclos. Alguns, inclusive, eram jovens demais: Volta Seca (11 anos), Criança (15 anos), Oliveira (16 anos). O mais idoso era Pai Velho, com 71 anos de idade.

Lampião arranjava, facilmente, armamentos e munições, mas, como o fazia, era um segredo que não contava a ninguém. Uma parte das armas automáticas, para combater a Coluna Prestes, foi adquirida através do Deputado Floro Bartholomeu e do Padre Cícero. Os demais armamentos do bando foram arranjados mediante a intervenção de amigos.

Um acidente provocado pela ponta de um pau cega o olho direito do Capitão Virgulino, um órgão que, anteriormente, já se apresentava problemático devido à presença de um glaucoma. Enxergando com um olho, apenas, Lampião se vê obrigado a ficar sempre enxugando, com um lenço, as lágrimas que pingam do olho vazado. A despeito dessa deficiência, ele nunca deixou de ser um excelente estrategista.

Dizem que foi uma brincadeira de mau gosto da família Ferreira (o corte da cauda de alguns animais) a gota d’água que desencadeou uma afronta irreparável com o fazendeiro José Saturnino, proprietário das terras vizinhas e membro da família Nogueira. Sendo mais numerosos e tendo o apoio do governo, essa família termina por expulsar os Ferreira de suas terras.

bando de lampião
A partir de 1917, Virgulino e a sua família passam a conviver com intensos tiroteios e emboscadas, não podendo morar em um lugar específico: são obrigados a vagar pelo sertão e levar uma vida de nômades.

Em meio às lutas e fugas, falece Dona Maria Selena, no Engenho Velho. E, no início de agosto de 1920, o patriarca da família - José Ferreira - é fuzilado pela volante do sargento José Lucena, enquanto debulhava milho. Naquele mesmo dia, então, os Ferreira fazem um juramento: o seu luto, até a morte, iria ser o rifle, a cartucheira e os tiroteios.

Quando sabia da existência de um coronel perverso, Lampião não perdia a oportunidade de queimar-lhe as fazendas e matar-lhe o gado. Nas incursões em vilas e povoados, o grupo saqueava, dizimava e matava. As violências cometidas pelo bando eram inúmeras: tatuagem a fogo, corte de orelha ou de língua, castração, estupro, morte lenta, entre outras. Muitos habitantes abandonavam definitivamente as suas propriedades, tornando desertas as caatingas, já que elas estavam entregues a soldados e cangaceiros.

Virgulino Ferreira era bastante impulsivo. Às vezes, passavam-se meses sem se ouvir falar nele, pensando-se, inclusive, que tinha morrido. Mas, de repente, ele surgia do nada com o seu bando, como um tremendo furacão, lutando contra as volantes, incendiando fazendas, roubando e matando com a maior naturalidade. Em algumas ocasiões, seus gestos eram generosos: confraternizava com as pessoas, organizava festas, distribuía dinheiro, pagava bebida para todos.

Em uma de suas paradas para descansar, perto da Cachoeira de Paulo Afonso, conheceu Maria Déia, filha de um fazendeiro de Jeremoabo, na Bahia. Há cinco anos ela era casada com José de Nenén - um comerciante da região - mas nutria uma paixão platônica por Lampião, mesmo sem nunca tê-lo encontrado.

Alguns afirmam que foi a própria mãe de Maria Déia que segredou a Lampião sobre essa paixão. Já outros dizem que foi Luís Pedro - integrante do bando - que insistiu para o rei do cangaço conhecê-la. Na realidade, o fato é que Virgulino caiu de amores ao vê-la. E, impressionado com a sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita.

Em vez de três dias, ficou dez na Fazenda Malhada da Caiçara. Com a concordância dos pais, que apoiavam o desejo da filha, Maria Déia coloca as suas roupas em dois bornais, penteia os cabelos, despede-se para sempre do marido, e parte com Lampião rumo à caatinga. Era o ano 1931 e ela tinha 20 anos.

Pouco tempo depois, Maria Bonita engravida e sofre um aborto. Mas, em 1932, o casal de cangaceiros tem uma filha. Chamam-na de Expedita. Maria Bonita dá à luz no meio da caatinga, à sombra de um umbuzeiro, em Porto de Folha, no estado de Sergipe. Lampião foi o seu próprio parteiro.

Como se tratava de um período de intensas perseguições e confrontos, e a vida era bastante incerta, os pais não tinham condições de criá-la dentro do cangaço. Os fatos que ocorreram viraram um assunto polêmico porque uns diziam que Expedita tinha sido entregue ao tio João, irmão de Lampião que nunca fez parte do cangaço; e outros testemunharam que a criança foi deixada na casa do vaqueiro Manuel Severo, na Fazenda Jaçoba.

O Capitão Virgulino adora ser fotografado e filmado. Neste sentido, consente que Benjamim Abraão, um fotógrafo libanês, conviva durante meses com o seu bando e colete muito material sobre o cangaço. Esse fotógrafo, contudo, é assassinado por um coronel, e grande parte do seu acervo é destruída.

Maria Bonita sempre insistia muito para que Lampião cuidasse do olho vazado. Diante dessa insistência, ele se dirige a um hospital na cidade de Laranjeiras, em Sergipe, dizendo ser um fazendeiro pernambucano. Virgulino tem o olho extraído pelo Dr. Bragança - um conhecido oftalmologista de todo o sertão - e passa um mês internado para se recuperar. Após pagar todas as despesas da internação, ele sai do hospital, escondido, durante a madrugada, não sem antes deixar escrito, à carvão, na parede do quarto:

Doutor, o senhor não operou fazendeiro nenhum. O olho que o senhor arrancou foi o do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.

Além das emboscadas planejadas para liquidá-lo, cabe ressaltar que Lampião conseguiu sobreviver ao veneno e ao fogo. Do primeiro, contou com a dosagem fraca que lhe deu, somente, um inconveniente desarranjo intestinal; do segundo, apesar de chamuscado, conseguiu escapar pulando. Mas foi ferido à bala diversas vezes.

Excetuando-se João, todos os irmãos de Virgulino morreram antes dele. Em 1926, Antônio foi morto em Serra Talhada, no encontro com uma volante pernambucana. Uma outra volante desse mesmo estado matou Levino Ferreira. O último a falecer foi Ezequiel, gravemente ferido pela polícia de Sergipe. Mas, quando Lampião percebeu que seu irmão estava se ultimando e sofrendo, saca do próprio revólver e dispara um tiro de misericórdia bem em cima de sua testa.

Em uma outra luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo a Garanhuns, Maria Bonita foi baleada. Como estava perdendo muito sangue, Lampião deu ordem para encerrar a luta imediatamente: pega a amada nos braços e segue rumo ao município de Buíque, onde ela é tratada na vila de Guaribas.

Vale deixar registrado que o bando de Lampião resistiu durante quase 20 anos, brigando com grupos de civis que o perseguiam e com a polícia de 7 estados nordestinos. Por todo esse tempo, assaltou propriedades de grandes fazendeiros, atacou povoados, vilas e cidades, roubou, pilhou, torturou e matou os seus adversários.

Apesar de ter sido baleado nove vezes, Lampião sobreviveu a todos os ferimentos, sem contar com qualquer tipo de assistência médica formal. Naquela época, desconheciam-se os antibióticos e as sulfas. Para estancar o sangue e curar os ferimentos, por exemplo, usavam-se mofo, pó de café e, até, excrementos de gado. Eram usadas, ainda, ervas medicinais e rezas dos curandeiros, que nem sempre funcionavam como se esperava. Um ferimento em seu pé, neste sentido, condenou Virgulino a mancar para o resto da vida.

Extremamente jeitoso, além de dotado de grande capacidade de improvisação, era o Capitão Virgulino que fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados dos feridos e fazia os partos das mulheres dos cangaceiros. Super dotado de inteligência, ele era médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista, guerrilheiro, artesão. Desconfiado, só ingeria algo depois que alguém tivesse provado o alimento. Por outro lado, só entregava o dinheiro após ter recebido a mercadoria. Entretanto, não conseguiu se livrar da traição dos falsos amigos.

No dia 27 de julho de 1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Na madrugada do dia 28, a volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando um dos cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.

Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, segundo a opinião de Virgulino, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos 34 cangaceiros presentes, 11 morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais saquearam e mutilaram os mortos. Roubaram todo o dinheiro, o ouro, e as jóias.

A força volante, de maneira bastante desumana, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira e Mergulhão: tiveram suas cabeças arrancadas em vida.

Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus. Guardadas as devidas proporções, após ter passado, praticamente, cento e cinqüenta anos da Revolução Francesa, os brasileiros retrocederam ao século XVIII, decepando cabeças como fizeram com Luís XVI e Maria Antonieta.

Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Maceió e, depois, foram ao sul do Brasil.

No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas, examinadas, pois os criminalistas achavam que um homem bom não viraria um cangaceiro: este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam alguns, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.

lampião e Maria bonita
Do sul do País, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno aos seus parentes. O economista Silvio Bulhões, em especial, filho de Corisco e Dadá, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, essa macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro do seu pai violaram a sepultura, exumaram o corpo e, em seguida, cortaram-lhe a cabeça e o braço esquerdo, colocando-os em exposição no Museu Nina Rodrigues.

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.

Virgulino morreu aos 41 anos de idade. No entanto, contabilizando-se os riscos enfrentados durante 20 anos de cangaço, a alimentação incerta, as emboscadas, os ferimentos, a falta de assistência médica, entre outros, pode-se afirmar que o rei do cangaço viveu mesmo muito tempo. Vale registrar, por outro lado, que Lampião e Maria Bonita possuem parentes próximos em Aracaju: sua filha, Expedita, casou com Manuel Messias Neto e teve quatro filhos (Djair, Gleuse, Isa e Cristina).

Por fim, a grande inteligência de Virgulino Ferreira da Silva, bem como o seu valor como estrategista valem a pena ser ressaltados. Mais de sessenta anos após sua morte, ele continua sendo lembrado na música, na moda, naliteratura de cordel, no teatro, no cinema, em escolas, em museus, em conferências e debates. O temido cangaceiro, indubitavelmente, o mais importante e carismático de todos, deixou gravado nas caatingas sertanejas um pedaço da história do Nordeste do Brasil.

                                                                                           FONTE:Fundação Joaquim Nabuco

                postado por tony josé sexta-feira,28 de outubro de 2011 

mel de abelha

 
back to top