domingo, 23 de outubro de 2011

0 JORGE DE ALTINHO

Nascido Jorge Assis de Assunção , na Rua Antonio Carlos Ferreira, 66, bairro de Salgadinho, da histórica e patrimônio mundial Olinda-PE. Filho de Anízio Brasilino de Assunção e Maria Assis de Assunção, batizado na Igreja de São Judas Tadeu, no mesmo bairro, em frente ao Centro de Convenções de Pernambuco.

Seu pai na época era proprietário de um posto de combustível, no bairro da Encruzilhada, em Recife. Decidido á uma vida mais tranqüila, quiçá obra do destino, mudou-se com a família para o município de Altinho, onde passou a negociar com secos e molhados, uma espécie de embrião do ramo de supermercados de hoje.

Em Altinho, o menino Jorge iria passar uma infância típica das crianças de sua idade. Banhos de rios, no Una e Taquara, somente interrompidos com a ida ao Grupo Escolar Professor Francisco Joaquim de Barros Correia. Querido pelos amigos, exercia liderança ao ponto de criar dois times de futebol infantis: o Estrela e o Cruzeiro. O futebol foi e continua sendo uma das paixões de Jorge.

A música sempre o fascinou, ao ponto de copiar suas matérias escolares, ouvindo canções. Chamou sua atenção "Menina Linda", de Renato e seus Blue Caps, sucesso dos The Beatles, que por curiosidade resolveu copiar a música inteira no caderno. Nascia involuntariamente seu envolvimento com a música de forma definitiva e irrevogável. O tempo e os fatos iriam comprovar.

Quase diariamente sua turma tinha por hábito reunir-se sob os coqueiros do colégio para acompanhar Zé Maria, filho de um grande seresteiro que residia em frente aquele local.

Certo dia, todos queriam ouvir o sucesso mundial "Menina Linda", mas ninguém conhecia a música de cor, foi então que surgiu Jorge, com a letra escrita no caderno, um hábito que conservava nos tempos do Barros Correia. Menino tímido, relutou em cantar sozinho. Queriam apreciar sua voz. Cedeu a insistência e acabou cantando. Foi o primeiro aplauso que recebia em sua vida. Uma tarde inesquecível para o sonhador Jorge e caíra as vestes da timidez.

A partir daí Jorge tomou gosto e o caderno ganhou novas cópias. Era sempre procurado todas as vezes que o grupo se reunia para cantar músicas do momento. Um sinal do fã-clube que começava o brotar.

Vieram as festas do colégio. Não poderia mudar a estrada que o destino havia lhe preparado. Matriculou-se na escola de música do município, onde chegou a fazer parte da filarmônica. Esses ensinamentos e o aprimoramento das lições de músicas em muito iriam lhe ajudar futuramente em sua carreira.

Chega o início dos anos 70 e nesse clima de Jovem Guarda, criou o grupo musical The Big Boys, logo depois uma pequena orquestra de frevos e por fim um conjunto de chorinho, denominado de: Cavaco & Viola.

Separado apenas por 30 quilômetros de Caruaru, considerado um dos maiores caldeirões culturais do Brasil, conviveu com os violeiros, aboiadores, coquistas, sanfoneiros, leitores de cordel, emboladores, além dos artesanatos de palha, couro e barro, do mestre Vitalino, despertou interesse pela música regional, manancial para suas músicas e fonte de permanente inspiração.

Em 1974, era aprovado em concurso para Secretaria de Transportes e Comunicações do Estado de Pernambuco e passou a trabalhar no sertão. Dessa experiência rica e marcante, que iria durar seis anos, nas regiões do Sertão Central, Moxotó, Araripe e São Francisco.

Somado a vivência acumulada e graças a sua percepção, começa a compor músicas ligadas a essas raízes. No encontro casual com o Trio Nordestino, surgiu uma grande afinidade com suas músicas, foi daí que o trio gravou: "Sapo Cururu", cadê o cururu... e "Fole de Ouro", puxe o fole Januário... uma homenagem ao pai de Luiz Gonzaga, em seguida, "A Separação", ninguém quer sofrer... "Forro Quentão", é o forró quentão... "Amor Demais", amor como o nosso eu tô pra ver... "Chamego Proibido", eu quero ser seu amor... "Mané Gambá", com Luiz Gonzaga recentemente exibido três vezes no Big Brother e o clássico Petrolina-Juazeiro, que além do Trio Nordestino, foi gravada por Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e outros.

Seu primeiro disco seria gravado em 1980, pela Emi-Odeon, com 12 músicas de sua autoria.

O sucesso surgiria em 1982, quando gravou o seu segundo álbum o antológico disco do chapéu, que, por ter sido prensado o vinil em uma fábrica e a capa em outra, o disco chegou primeiro e a repercussão foi tamanha que as pessoas levavam o disco para depois pegar a capa na loja. Alguns improvisaram a capa com cartolina, o que lhe valeu destaque e um fato curioso: ter sido o primeiro artista brasileiro a vender discos sem as capas.

Com mais experiência, lança em 1983, o disco Canto Livre, que trazia como grande novidade elementos novos para a reoxigenação do forró. Uma vez que o famoso Jackson do Pandeiro já havia experimentado o clarinete e Luiz Gonzaga o piston. Como tinha formação musical filarmônica e ouvindo a orquestra do maestro Camarão, de Caruaru, resolveu resgatar a cultura interiorana que são as filarmônicas que geralmente se apresentam nas festas das igrejas interioranas acompanhando procissões, eventos cívicos, etc. Dessa fusão, adicionou o sax, o piston e trombone, a sanfona, triângulo e zabumba, instrumentos básicos que compõem a música nordestina. Assim, sem perder a originalidade ele foi pioneiro em introduzir os metais no forró.

A partir daí foi contratado pela RCA Victor, hoje BMG Ariola, onde ficou por 10 anos e gravou 16 discos, passando por algumas gravadoras como: Emi-Odeon, Sony, RGE, Paradox e Warner Continental etc.

Ao longo de sua carreira ganhou o respeito e a estima de muitos amigos, como o saudoso Chacrinha, que o convidou a participar de dezena de programas, resultando em vários discos de ouro e o carinho de colegas a exemplo de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Alcione, Fagner,Zé Ramalho, todos com participações especiais em seus discos.

Hoje, com 37 álbuns entre vinil e cd's, o artista reúne uma invejável bagagem musical, pois percorreu todo o Norte e Nordeste Brasileiro, cantando e encantando em clubes, exposições, festas de padroeiros, vaquejadas, aniversário de cidades, sempre com o mesmo entusiasmo do início da carreira, levando sempre uma mensagem de otimismo e um recado de amor, com a marca de seu balanço envolvente e com sua voz inconfundível.

Eis Jorge, que um dia foi de Olinda, de Caruaru, de Altinho e que hoje é do mundo, afinal, suas obras pertencem ao universo dos amantes da boa música popular brasileira. Assim é Jorge, imutável pelo talento, corajoso como o sertanejo, detalhista, exigente em sua arte e sobretudo, o cancioneiro que fez o forró ganhar o mundo.

                                                                                              

                                                                                  Fonte:Letras.com

                                                           postado por tony josé domingo,23 de outubro de 2011                                                         

sábado, 22 de outubro de 2011

0 Bacamarteiros de Pernambuco


Bacamarte é uma arma de fogo, de cano curto e largo, também conhecida comogranadeira, reiuna, reuna ou riuna, principalmente, no Nordeste brasileiro. As granadeiras ou bacamartes que serviram na Guerra do Paraguai, em 1865, foram modificadas para que as armas se adaptassem ao uso dos bacamarteiros nas festas do interior de Pernambuco. Desde os fins do século XIX, grupos de bacamarteiros se exibem em Caruaru durante as festas juninas.
De um modo geral, o folguedo se constitui de homens portando bacamarte, que são disparados com cargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros ou em cerimônias cívicas e políticas.

Em Caruaru, os bacamarteiros reúnem-se em grupos, troças ou batalhões, sob a chefia de um sargento e o controle geral de um comandante, que responde, perante às autoridades, pelos atiradores durante as apresentações.

A forma como os bacamarteiros se agrupam é bastante primitiva. Não há formalidades ou regulamentos. Só é necessário possuir um bacamarte, obedecer ao sargento e saber manejar a arma. A sanfona de 8 baixos, o triângulo, o zabumba de couro curtido e a banda de pífanos, acompanham os bacamarteiros de Caruaru, ao som de uma melodia de xaxado, que é acelerada nos desfiles ou lenta nas evoluções, na apresentação das armas, na frente das Igrejas e antes do início das salvas. O vestuário compõe-se de roupa de zuarte (algodão azul), lenço no pescoço, chapéu de couro, alpargatas e cartucheiras de flandre. Os bacamarteiros oriundos dos brejos, usam chapéus de abas largas, quebrado na frente, enfeitados com flores silvestres. Eles também colocam flores nos canos das armas.

Os comandantes exibem estrelas nos ombros e nos chapéus e usam bengalas ou guarda-chuvas como símbolo de comando. Apesar de Caruaru ser o maior pólo de bacamarteiros no Estado, existem também grupos em outros municípios pernambucanos como Cabo, Limoeiro, Belo Jardim.

                    FONTE: JOAQUIM NABUCO 

postado por tony josé sábado,23de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

0 Lourival Batista



Lourival Batista Patriota, também conhecido como Louro do Pajeú, filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, nasceu no dia 06 de janeiro de 1915, no povoado de Umburanas, hoje município de Itapetim-PE (na época                     pertencente  a São José do Egito-PE).

Concluiu o curso ginasial em 1933, no Recife - PE, de onde saiu com a viola nas costas, para fazer cantorias. Foi um dos mais afamados poetas populares do Nordeste e, além da cantoria, a outra única atividade que exerceu foi a de banqueiro de jogo de bicho, mas sem sucesso.
Lourival fora ouvir uma cantoria de Antonio Marinho (a Águia do Sertão) e, nessa oportunidade, estimulado por alguns conhecidos, cantou versos improvisados com um violeiro de nome Pedro Ferreira, isso em 1930.

Irmão de outros dois repentistas famosos (Dimas e Otacílio Batista) formavam uma trindade de repentistas das mais famosas. Foi um dos grandes parceiros do paraibano Pinto do Monteiro, com quem formou a melhor dupla de cantadores de todos os tempos.

Foi casado com Helena Marinho, filha do grande poeta e cantador Antonio Marinho. Lourival Batista foi agraciado pelo povo com o titulo de “rei dos trocadilhos”, faleceu em São José do Egito, no dia 05 de dezembro de 1992.

Numa cantoria em São José do Egito, um rapaz que atendia pelo nome de Deca, ouvia os belos improvisos de Lourival, sem manifestar qualquer desejo de colaborar com os cantadores. A certa altura da cantoria, Lourival dirigiu-se ao rapaz, tomando por base as quatro letras que formavam seu apelido:

Boto o “d” e boto o “e”
Boto o “c” e boto o “a”
Depois um acento agudo
Em vez de Deca, é Decá!
Tiro o “d” e tiro o “e”
Seu Deca, venha até cá.


De outra feita recebeu um mote do poeta, político, advogado e amigo, Raimundo Asfora: Não tive amores sonhei-os mas possuí-los não pude.

Louro glosou:

Entre profundos abalos
e pesadelos medonhos,
sonhos, sonhos e mais sonhos,
sem poder realizá-los.
sentindo na fronte os halos
das auras da juventude,
só nunca tive a virtude
de dormir entre dois seios,
não tive amores sonhei-os
mas possuí-los não pude.


Outro mote de Raimundo Asfora foi: Mulher não tem coração.

Lourival glosou:

Um cientista profundo
solicitou, certa vez,
que eu lhe dissesse os três
desmantelos desse mundo.
Eu respondi, num segundo,
é mulher, doido e ladrão.
Expliquei mais a razão:
ladrão não tem consciência,
doido não tem paciência,
mulher não tem coração.


Cantavam na vila de São Vicente, hoje município de Itapetim-PE, quando Lourival Batista, falando sobre plantas, usou o termo “carola” em vez de “corola”. Pinto do Monteiro bateu forte:

Um rapaz que teve escola
e ainda canta errado
fala em flor e diz “carola’
muito tem-se confessado
parte de flor é “corola”
precisa tomar “coidado”.


O cochilo de linguagem de Pinto, falando “coitado”, em vez de “cuidado”, deu a Lourival a oportunidade de poder vingar-se do colega. E fulminou:

Pra não ter um só errado
errei eu, erraste tu,
errou Pinto do Monteiro
e Louro do Pajeú
nesta palavra “coitado”
tire o “o” e bote o “u”.


O poeta Louro do Pajeú recebeu o seguinte mote de um amigo: Quem casa faz uma cruz pra morrer cravado nela.

Então Lourival prontamente glosou:

Jesus não morreu tão moço
mas nunca quis companheira,
quis uma cruz de madeira,
porém, não de carne e osso.
Não lhe seduziu o esboço
do perfil da mulher bela,
não deu tais honras a ela,
sabido só foi Jesus,
quem casa faz uma cruz
pra morrer cravado nela.


                                                   Fonte: clube do repente

           postado por tony josé sexta-feira,21 de outubro de 2011 
                                                                  

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

0 Zé da luz

Zé da Luz, poeta, das terras nordestinas, nasceu em 29 de março de 1904 em Itabaiana, região agreste da Paraíba e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965. Veio ao mundo como Severino de Andrade Silva e recebeu a alcunha de Zé da Luz. Nome de guerra e poesia, nome dado pela terra aos que nascem Josés e, também, aos Severinos, que se não for Biu é seu Zé.

Sua poesia é dita nas feiras, nas porteiras, na beirada das estradas, nas ruas e manguezais. Perdeu-se do seu autor pois em livro não se encontra. Se encontra na boca do povo, de quem tomou emprestado a voz, para dividi-la em forma de rima e verso.


Seus poemas têm a cor do nordeste, o cheiro do nordeste, o sabor do nordeste. Às vezes trágico, às vezes humorado, às vezes safado. Quase sempre telúrico como a luz do sol do agreste. (os editores)




AS FLÔ DE PUXINANÃ

(Paródia de As "Flô de Gerematáia" de Napoleão Menezes)

Três muié ou três irmã,

três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta

era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,

tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.

Os ói dela paricia

duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.

A tercêra, era Maroca.

Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.

Dois cuscús, qui, prú capricho,

quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.

Eu inté, me atrapaiava,

sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.

Inscuiendo a minha cruz

prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!



AI! SE SÊSSE!...


Se um dia nós se gostasse;

Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!





                                                                                    
                                             Fonte: Enciclopédia Nordeste

            postado por tony josé quinta-feira,20 de outubro de 2011

             




                

0 Capiba

Lourenço da Fonseca Barbosa, Capiba, nascido em Surubim em 1904,filho de um mestre de banda, Severino Atanásio de Souza Barbosa, viveu e respirou música desde a infância. Começou a trabalhar como pianista, ainda garoto em Campina Grande (PB). Depois de uns poucos anos em João Pessoa, onde completou o curso médio, e também trabalhou como músico, além de criar suas primeiras composições, uma das quais chegou a ganhar um concurso promovido por uma revista carioca (um vivaldino, no entanto, chegou antes do compositor e seu parceiro, e recebeu o prêmio pelo primeiro lugar), veio morar no Recife, em 1930, quando passou num concurso para o Banco do Brasil, emprego que lhe daria segurança econômica para dar vazão ao seu enorme talento como compositor (formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão). Em 1931 teve seu nome reconhecido como compositor, e músico da Jazz Band Acadêmica, na capital pernambucana, com Valsa verde (feita em parceria com Ferreira dos Santos). Em 1934, Consolidou-se como autor, ao vencer um certame de música carnavalesca, com o frevo-canção É de amargar. Até os primeiros anos da década de 80, do século 20, Capiba pontificou na música pernambucana, e brasileira. E não apenas como autor de memoráveis frevos-canção. Seu primeiro grande sucesso nacional foi a canção Maria Betânia, gravada por Nelson Gonçalves, em 1945.

Seus frevos-canção tornaram-se ainda mais conhecidos no final da década de 50, com o lançamento pela Rozenblit, do LP Capiba 25 Anos de Frevo, interpretados por Claudionor Germano. Falecido em 31 de dezembro de 1997, Capiba produziu uma obra caudalosa, tanto gravada, quanto inédita (neste último item, estima-se que tenha deixado mais de quatro centenas de composições, entre fre
vos, peças eruditas). 


                                                         FONTE:NAÇÃO CULTURAL

                                                 postado po tony josé quinta-feira,20 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

0 Dominguinhos

José Domingos de Moraes, conhecido como Dominguinhos, nasceu em Garanhuns, Pernambuco, no dia 12 de fevereiro de 1941, filho de um famoso tocador e afinador de foles, mestre Chicão.

         Aos seis anos de idade, ainda com o apelido de Neném do Acordeon, tocava pandeiro com seus irmãos Moraes (sanfona) e Valdomiro (malê, espécie de zabumba) no trio Os Três Pingüins.

O grupo apresentava-se em feiras e portas de hotéis de Garanhuns. Numa dessas exibições, em 1948, foi ouvido por Luiz Gonzaga, o conhecido Rei do Baião, que ficou encantado com Dominguinhos e prometeu-lhe uma sanfona de presente se algum dia ele resolvesse ir ao Rio de Janeiro.  

            Em 1954, sua família mudou-se para o Rio, radicando-se em Nilópolis. Dominguinhos procurou o Rei do Baião para cobrar-lhe a promessa, sendo presenteado com uma sanfona nova.

De posse do novo instrumento formou com Miudinho e Borborema o Trio Nordestino, passando a se apresentar em circos e arrasta-pés de pequenas cidades do interior do Rio.

Em 1956, já acompanhava Luiz Gonzaga em shows e gravações. O Velho Lua, seu padrinho musical, foi quem o apresentou ao mundo artístico do Rio de Janeiro na época.

Em 1957, foram a cidade de Vitória, no Espírito Santo, onde aprendeu a tocar outros gêneros musicais como boleros e sambas, para se apresentar emdancings e boates
 
Foi Luiz Gonzaga que mudou seu nome artístico de Neném do Acordeonpara Dominguinhos, pois dizia que seu apelido de infância não o levaria a lugar algum.
Em 1965, Pedro Sertanejo, um dos pioneiros do forró no sul do país (pai de Oswaldinho do Acordeom), o convidou para gravar um disco LP (long-play) dirigido ao mercado de migrantes nordestinos em sua pequena gravadora Cantagalo.
         Dois anos depois, participou de uma das excursões musicais de Luiz Gonzaga como sanfoneiro e motorista, onde conheceu a cantora Lucinete Ferreira, a Anastácia, que se tornaria sua esposa e parceira em várias músicas como Eu só quero um xodó e Tenho Sede, êxitos na voz de Gilberto Gil, que o tornaram nacionalmente conhecido, além de outros sucessos como De amor eu morrerei, Lamento de saudade, Saudade matadeira e Forró em Petrolina.
         Participou de diversos festivais de música nacionais e tem diversos discos gravados. Até 1978, já havia gravado sete LPs.
Suas canções são interpretadas por nomes como Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Velloso, Elba Ramalho, Raimundo Fagner, entre outros.
Tem músicas em parceria com grandes nomes da música popular brasileira como Chico Buarque (Tantas palavras, Xote da navegação), Nando Cordel (De volta pro aconchego, Gostoso demais, Faz de mim, Isso aquí tá bom demais), Gilberto Gil  (Abri a porta Lamento sertanejo)Manduka (Quem me levará sou eu), Fausto Nilo (Pedras que cantam).
         É autor também de trilhas e temas musicais de filmes como O Cangaceiro(Aníbal Massaini Neto) e As Aventuras de um Paraíba (Marco Altberg).
         Na sua longa discografia estão incluídas a composição e gravação de choro, forró, xaxado, baião, coco, quadrilha, entre vários outros ritmos da música típica do Nordeste brasileiro.
O famoso Forró do Dominguinhos além de espalhar-se pelo País nos shows que ele fazia para platéias universitárias, virou um gênero musical.


                      FONTE: Fundação joaquim Nabuco

                           postado por tony josé terça-feira,18 de outubro de 2011 

 

0 Padre Cícero Romão Batista


O Padre Cícero Romão Batista nasceu no dia 24 de março de 1844, no Crato, Ceará, filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana. Foi batizado no dia 8 de abril pelo Padre Manoel Joaquim Aires do Nascimento, tendo como padrinhos seu avô paterno, Romão José Batista e uma tia materna, Antônia Ferreira Catão.

Aos 7 anos, começou a estudar com o professor Rufino de Alcântara Montezuma e fez sua Primeira Comunhão na matriz do Crato. Aos 12 anos, passou a ser aluno do latinista Padre João Marrocos Teles, professor, por concurso, da cadeira de Latim, criada no Crato por D. Pedro I e com essa idade fez o voto de castidade, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales, como ele próprio afirma no seu testamento. Seu pai, sabendo dos seus progressos na aula régia do prof. João Marrocos, o matriculou no famoso colégio do Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras, Paraíba. Em 1862 interrompeu seus estudos e retornou ao Crato para cuidar da sua mãe e irmãs solteiras, devido a morte inesperada de seu pai, vítima da cólera-morbo.

Em março de 1865, ingressou no Seminário de Fortaleza, para seguir a carreira eclesiástica, onde é ordenado em novembro de 1870. Regressando ao Crato, em 1871, cantou a sua primeira missa no altar de Nossa Senhora da Penha, na Matriz do Crato e durante esse ano foi professor no colégio ali fundado por José Marrocos. Em abril de 1872, com 28 anos de idade, retorna ao povoado de Juazeiro, onde fixou residência definitivamente.

Iniciou a melhoria da capela do Juazeiro, dedicada a Nossa Senhora das Dores, padroeira do lugar, onde desenvolveu o seu trabalho pastoral, conquistando, desde então, a simpatia da comunidade.

Em 1889, ocorreu a primeira manifestação dos poderes milagrosos a ele atribuídos, quando a hóstia colocada na boca da beata Maria de Araújo se transformou em sangue. O médico Marcos Madeira atestou como sobrenaturais os fenômenos por ele vistos e estudados das hóstias que se transformavam em sangue. Foi chamado à Fortaleza pelo bispo Dom Joaquim José Vieira para um AUTO DE PERGUNTAS sobre o que estava ocorrendo em Juazeiro, para onde é enviada uma primeira Comissão de Inquérito que confirma o que está ocorrendo e envia ao bispo um relatório considerando todos os fenômenos como sendo coisa divina. O bispo não acata nem acredita no relatório, nomeando uma outra Comissão de Inquérito, tendo à frente o Mons. Antonio Alexandrino de Alencar, que mandou buscar a beata Maria de Araújo ao Crato. Ao ministrar-lhe o hóstia esta não se transforma mais em sangue. A Comissão fez um relatório desmentindo tudo e considerando um embuste o ocorrido em Juazeiro e envia-o ao bispo que o acatou, assinando uma portaria, na qual estipulava as seguintes sanções contra o Padre Cícero: ele não podia mais celebrar em Juazeiro, confessar nem pregar na diocese. Era também terminantemente proibido de falar sobre o assunto dos milagres e atender aos romeiros.

Padre Cícero viajou então a Roma, onde teve uma audiência com o Papa Leão XII sendo absolvido de suas penas. Porém o Bispo do Ceará, Dom Joaquim Vieira, publicou a sua pastoral nº 4, decidindo que o sacerdote não poderia celebrar, confessar ou fazer sermões, enquanto não viesse de Roma o decreto de reabilitação.

Proibido de exercer suas funções eclesiásticas, tentou ajudar o povo de Juazeiro através do ingresso na vida política. Com a transformação de Juazeiro em município, foi nomeado pelo governador do Ceará, Nogueira Acioli, prefeito de Juazeiro. Em 1914, a Assembléia Legislativa do Ceará reuniu-se e, por maioria, reconheceu o Padre Cícero como 1º Vice-Governador do Estado.

Em 1916, ele recebeu do novo bispo da diocese do Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, permissão para celebrar na Igreja de Nossa Senhora das Dores, após 24 anos de proibição. Voltando a celebrar começou a receber maior número de romeiros. Alguns comerciantes haviam mandado fabricar medalhas com a sua efígie o que não agradou ao novo bispo. Quando solicitou autorização a Dom Quintino para ser padrinho de uma criança que ia batizar-se, o bispo desgostoso com a notícia de que estavam vendendo medalhas com o retrato do Padre, negou a autorização para apadrinhar e determinou que, a partir daquela data, não mais deveria celebrar.

Ferido, não se revoltou nem reagiu. Aceitou com humildade a decisão do seu bispo, dedicando-se totalmente ao bem da sua cidade de Juazeiro. Era um nome famoso, líder do povo do Nordeste, conselheiro de milhões de pessoas. O povo amava o seu padrinho sofredor. Morreu, no dia 20 de julho de 1934, às 5h da manhã, aos 90 anos, sendo enterrado no dia 21, na presença de mais de 70 mil pessoas.

                        FONTE: Fundação Joaquim Nabuco
                  postado por tony josé terça-feira,18 de outubro de 2011

mel de abelha

 
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