domingo, 19 de agosto de 2012

0 Antônio Silvino


Manoel Batista de Morais nasceu no dia 2 de novembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, uma pequena cidade situada às margens do rio Pajeú das Flores, sertão do Estado de Pernambuco. Era filho de Francisco Batista de Morais e de Balbina Pereira de Morais. Na juventude, ficou conhecido como Batistinha (ou Nezinho). Seus dois irmãos eram Zeferino e Francisco.

Batistinha possuía um tio chamado Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque que, após ter brigado com os partidários do General Dantas Barreto (governador de Pernambuco), decidira organizar um bando e, desde então, vivia espalhando o terror pelos sertões adentro.

Desse grupo, faziam parte: Luís Mansidão e o seu irmão, Isidoro, Chico Lima, João Duda, Antônio Piúta e, posteriormente, os seus sobrinhos Zeferino e Manoel Batista de Morais (Batistinha).

Silvino Aires vivia fugindo do cerco da polícia, mas foi preso enquanto dormia, pelo Capitão Abílio Novais, perto de Samambaia, distrito de Custódia, em Pernambuco. Com a prisão do tio e bandoleiro, Batistinha assumiu o comando do cangaço, mudou o seu primeiro nome para Antônio (não se sabe, até hoje, o motivo) e, o segundo, para Silvino, em homenagem ao familiar e ex-chefe que tanto admirava.

A partir daí, passou a ser conhecido com o nome de guerra de Antônio Silvino e apelido de "Rifle de Ouro". Um pouco antes de Lampião, ele representou o mais famoso chefe de cangaço, substituindo cangaceiros célebres tais como Jesuíno Brilhante, Adolfo Meia-Noite, Preto, Moita Brava, o tio - Silvino Aires - e o próprio pai - Francisco Batista de Morais (conhecido como Batistão).

Batistinha havia entrado no cangaço com o seu irmão, Zeferino, para vingar a morte do pai, Batistão do Pajeú, que havia tombado morto em um dos combates com a polícia. Batistão era um homem provocador, um bandoleiro, bastante marcado pela polícia e autor de vários homicídios. Certa vez, ousou entrar em Afogados da Ingazeira, em um dia movimentado de feira. Daí, o chefe político local, coronel Luís Antônio Chaves Campos, contratou um matador profissional (Desidério Ramos, que, como o coronel, também era desafeto de Batistão), e este liquida o cangaceiro com um tiro de bacamarte. O corpo de Batistão permaneceu inerte, em uma rua próxima à feira. Era o ano de 1896.

Desidério, gozando da cobertura do coronel e chefe político da região, permaneceu impune e bem protegido no sertão. Jamais demonstrou possuir o menor temor de Antônio Silvino, a despeito de o cangaceiro amedrontar a todos. Sendo assim, depois de muito chorar a perda do genitor, os filhos de Batistão juraram vingar a sua morte, roubando, assaltando e matando todos aqueles que colaboraram para tal.

Algumas pessoas acreditavam, inclusive, que Antônio Silvino não possuía "maus instintos", que não cometia violências à toa, do tipo assaltar pessoas, estabelecimentos, povoados e cidades sem haver um motivo justo. Os integrantes do seu bando só se vingavam daqueles que lhes armavam emboscadas, dos que os denunciavam à polícia, das volantes que os perseguiam. Quando muito, se não agiam exatamente dentro da lei, isto era justificado, segundo eles, pela necessidade de angariar elementos básicos para a sobrevivência do bando: comida, dinheiro, roupa, armamentos.

Outras pessoas afirmavam, contudo, que Antônio Silvino vivia espalhando o terror nos municípios das Zonas da Mata e Agreste de Pernambuco, e nos sertões deste Estado e da Paraíba. Sobre os feitos e a valentia daquele cangaceiro, o cantador popular Leandro Gomes de Barros escreveu:

Onde eu estou não se rouba
Nem se fala em vida alheia,
Porque na minha justiça
Não vai ninguém pra cadeia:
Paga logo o que tem feito
Com o sangue da própria veia.

Quando Silvino Aires morreu, vários indivíduos perigosos entraram em seu bando e começaram a espalhar o terror por toda a parte. Foram eles: Cavalo do Cão, Relâmpago, Nevoeiro, Bacurau, Cobra Verde, Azulão, Cocada, Gato Brabo, Rio Preto, Pilão Deitado, Barra Nova, Cossaco, entre outros. Antônio Silvino, como chefe, passou a usar a farda de coronel, apresentando-se com cartucheiras, punhal na cintura, bornais e um rifle na mão e, por questão de poder e vaidade, exigia que todos o chamassem de "capitão".

A esse respeito, Mauro Mota registrou um episódio vivenciado por Antônio Silvino. Ao invadir uma cidade na Paraíba, o famoso cangaceiro se dirigiu à casa de um delator e disse, em público, que ia matá-lo. A esposa da vítima, desesperada, pediu-lhe, então: "Capitão, não mate o meu marido. Tenha pena de uma pobre mulher e de crianças que vão ficar órfãs."

Ao que o cangaceiro lhe respondeu: "[...] Antônio Silvino não sabe negar nada a uma mulher aflita." [...] "Perdôo-lhe a vida, mas, para não ficar sem castigo, vou mandar dar-lhe uma pisa."

Ao que a mulher voltou a lhe solicitar: "Capitão, se é para humilhar meu marido, o senhor me desculpe: em um homem não se dá! Mande logo matá-lo, que é melhor!

Naquele momento, vendo esvair-se a oportunidade de escapar da morte, o marido delator interrompeu o diálogo dos dois e exclamou: "Não se meta, mulher, que o capitão sabe o que faz!"

Um outro episódio ocorrido foi narrado pelo escritor e sertanejo Ulisses Lins. Certa vez, Antônio Silvino passou pela Fazenda Pantaleão, uma propriedade de Albuquerque Né, o avô de Etelvino Lins. Como o cangaceiro não o conhecia, apenas cumprimentou-lhe à distância, tirando o seu chapéu.

Quando foi informado de quem se tratava, no entanto, Antônio Silvino voltou para pedir-lhe desculpas, humildemente, por ter passado em suas terras armado, justificando isto pela vida de riscos que levava, fugindo sempre dos inimigos e da polícia. Dessa forma, mesmo considerando o crime como uma banalidade, o cangaceiro sabia respeitar a autoridade e a lei dos coronéis-fazendeiros, em verdade, os mais poderosos de todos.

Ele chegou a ser chamado de "bandido cavalheiro". Mesmo não perdoando aos inimigos, ele adquiriu fama por proteger as pessoas simples e humildes: as mulheres, as crianças, os doentes e os idosos. Um poeta popular sertanejo, na época, sobre ele escreveu:

Antônio Silvino é
Cangaceiro do sertão,
Mas não ataca a pobreza,
Antes lhe dá proteção;
Mas tem orgulho em matar
Oficial de galão.

Um outro poeta popular deixou o seguinte cordel, como se fosse o próprio Antônio Silvino falando:

Já ensinei aos meus cabras
A comer de mês em mês,
Beber água por semestre,
Dormir no ano uma vez,
Atirar em um soldado
E derrubar dezesseis.

O governador de Pernambuco, general Dantas Barreto, frente aos imensos prejuízos causados pelos cangaceiros no interior do Estado, decidiu decretar a mobilização da polícia. Foram despachadas para o sertão, então, inúmeras forças volantes, com o intuito de combater o bando de Antônio Silvino.

O delegado do município de Taquaritinga, alferes Teófanes Torres, comandante de uma das forças volantes, desconfiou que o famoso cangaceiro estivesse escondido na fazenda de Joaquim Pedro. E quando empreendeu uma busca dentro da casa, percebeu que um grande carneiro tinha sido abatido e estava sendo preparado na cozinha do fazendeiro.

A partir daí, o alferes ameaçou fuzilar o dono da propriedade, caso ele não revelasse, de imediato, onde se encontrava Antônio Silvino. Uma das filhas de Joaquim Pedro, apavorada com a situação, implorou: "diga a verdade, papai!" O fazendeiro terminou falando, então, que o bando se encontrava bem perto dali, à beira de um riacho; e o delegado ordenou que a tropa seguisse até o local e pegasse o cangaceiro vivo ou morto.

O caminho indicado, no meio da caatinga, em Lagoa da Lage, Santa Maria, Pernambuco, era um entranhado de espinhos, mororós, xique-xiques, facheiros e galhos secos de jurema, ferindo todos os que tentavam abrir a picada. Mas, a despeito das dificuldades, no dia 28 de novembro de 1914 ocorreu o último encontro de Antônio Silvino com a polícia. No tiroteio, muitos morreram e poucos conseguiram fugir. Já baleado e para não ir preso, Joaquim Moura, o lugar-tenente do cangaceiro, se suicidou com um tiro de rifle. O confronto durou cerca de um hora, o tempo que o bando esgotou a munição das cartucheiras.

Percebeu-se, de repente, que Antônio Silvino estava correndo cambaleante, como se estivesse ferido. Em verdade, uma bala de fuzil havia atravessado o seu pulmão direito, indo sair na região sub-axilar. Sangrando, ele conseguiu chegar à residência de um amigo, pediu que chamassem a polícia e, na presença desta assim falou: estou entregue! Tinha 39 anos de idade.

Ele foi preso na mesma hora e levado para a Cadeia de Taquaritinga. Porém, como estava muito ferido, teve de viajar a cavalo, dentro de uma rede, por cerca de 40 quilômetros, até a estação ferroviária de Caruaru. O destino final era a capital do Estado.

Como recompensa ao heroísmo pela captura do "Mussolini sertanejo", o general Dantas Barreto promoveu o alferes Teófanes a tenente; a alferes, o segundo-sargento José Alvim; e, a cabo, todos os demais praças que participaram do confronto com o bando.

Do município de Caruaru, Antônio Silvino foi transferido para a Casa de Detenção do Recife. Veio em um trem especial da Great Western, onde uma multidão o aguardava: todos queriam ver, de perto, o tão falado cangaceiro.

No entanto, Antônio Silvino se encontrava abatido, em decorrência da hemorragia que tivera, estava inquieto, com dificuldade respiratória, e ardia em febre. Os médicos diagnosticaram pneumonia traumática e aplicaram seis ventosas secas sobre o seu hemitorax direito. Posteriormente, deram-lhe injeções de óleo canforado e estriquinina. O doente ficou mais calmo, respirando melhor.

Antônio Silvino se tornou o prisioneiro número 1122, da cela 35, do Raio Leste. Por vários processos, pelos vinte anos de opção pela vida no cangaço, foi condenado a 239 anos e 8 meses de prisão.

Na cadeia, teve um comportamento exemplar e decidiu aprender a ler e escrever, aproveitando as horas do dia para fazer algo útil. Nos intervalos das aulas, fabricava abotoaduras, brincos e pequenos artefatos de crina de cavalo, ganhando algum dinheiro com a venda desses produtos.

Passou a ser objeto de estudos e pesquisas, principalmente de alunos da Faculdade de Direito do Recife. Entretanto, não gostava de recordar o seu passado.

Em certa ocasião, recebeu a visita de José Lins do Rego, um jovem advogado cujo desejo era o de se tornar um romancista. Outras vezes, foi procurado por Luís da Câmara Cascudo, Nilo Pereira, José Américo de Almeida, entre várias personalidades importantes. Quanto aos jornalistas, o ex-cangaceiro se recusou, sistematicamente, a recebê-los.

Antônio Silvino passou vinte e três anos, 2 meses e 18 dias recluso. Mas, após esse período, recebeu um indulto do Presidente Getúlio Vargas. Na época, ele declarou:

Minha vida todo mundo conhece. Vinte e três anos de reclusão alteraram o meu destino. Mas, diga lá fora, que eu nunca roubei, nem desonrei ninguém, e, se matei alguma pessoa, foi em defesa própria, evitando cair nas mãos de inimigos.

Saiu feliz da vida da prisão, como um passarinho que escapou da gaiola. Tinha 62 anos de idade.

Liberto, ele decidiu andar pela rua Nova, olhar as vitrines, ir até à Sorveteria Pilar, conhecer a praia de Boa Viagem, admirar Recife e Olinda. Chegou, inclusive, a conhecer o Rio de Janeiro e o Presidente Vargas.

Desejando se estabelecer no interior do Estado, Antônio Silvino resolveu mandar uma carta para José Américo de Almeida, um político de renome na Paraíba, solicitando-lhe um emprego, por conta dos "seus serviços prestados ao Nordeste". Mas, o escritor e político jamais lhe respondeu a carta.

O ex-detento viaja para o sertão da Paraíba. Ficou vagando de cidade em cidade, se hospedando nas casas de alguns amigos antigos, porém jamais obteve recursos financeiros para comprar a tão sonhada pequena propriedade e dedicar-se de corpo e alma à agricultura.

Terminou indo viver com uma prima, Teodulina Alves Cavalcanti, que morava com o seu esposo em uma casa modesta na rua Arrojado Lisboa, em Campina Grande, na Paraíba.

Considerando-se que Antônio Silvino permaneceu vinte anos arriscando a vida e enfrentando o perigo no cotidiano, é possível afirmar que o ex-cangaceiro teve uma vida longa. Lampião, por exemplo, foi morto em Sergipe no ano de 1938, aos 41 anos de idade. Na ocasião de sua morte, Antônio Silvino estava cumprindo a sua pena e, quando indagado acerca do ocorrido, ele declarou:

Não me causou admiração porque a vida é incerta, mas a morte é certa. Não me interessam mais esses assuntos de cangaço, pois sou um homem regenerado. Só quero, agora, descanso na minha velhice.

Do perigoso cangaceiro que fora no passado, ele era hoje um homem idoso, mas que possuía uma mente esclarecida e respondia bem à todas as perguntas que lhe faziam. Dele, foi esse depoimento:

Nunca tive medo de morrer em pé, quando campeava pelo Nordeste, mas, agora, deitado, não quero morrer, se bem que não tenha medo do inferno, pois se para lá for, disputarei um lugar de chefe, um posto de comando qualquer. Pro céu é que eu não quero ir, pois, ao que me consta, lá não há campo pra luta, nem lugar para Capitão de mato como sempre fui. Quero viver mais um pouco, mesmo com esta agonia que estou sentindo, com esta falta de ar, com esta falta de conforto.

E acrescentou:

A justiça dos homens me condenou. A justiça da Revolução de 30 me absolveu, dando-me liberdade. A doença agora me prende e eu tenho que aguardar o pronunciamento da justiça de Deus. É ela maior de que todas as justiças da terra.

Antônio Silvino teve oito filhos: José, Manoel, José Batista, José Morais, Severino, Severina, Isaura e Damiana. Ele morreu na casa de sua prima Teodulina, no dia 30 de julho de 1944. Ao lado de uma multidão de curiosos, procurando vê-lo pela última vez, o ex-cangaceiro foi enterrado no Cemitério de Campina Grande. Uma senhora idosa depositou uma coroa de flores sobre a sua sepultura e, uma jovem, um cacho de angélicas e cravos.

Passados dois anos e meio do seu falecimento, nenhum familiar apareceu para a retirada dos ossos de Antônio Silvino. Sem alternativa, os coveiros enterram os restos mortais em um outro lugar do cemitério. Hoje, não se sabe mais aonde.

O que sobrou do Capitão Antônio Silvino, do célebre Rifle de Ouro, se perdeu, em meio a tantas outras ossadas que nunca foram reclamadas. A sua fama, no entanto, registrada pelos poetas populares em literatura de cordel e, por muitos intelectuais, em vários livros e periódicos, permanece viva e intacta em todo o Brasil.

        
Recife, 14 de novembro de 2003.
(Texto atualizado em 14 de setembro de 2007).


FONTES CONSULTADAS:
BARBOSA, Severino. Antônio Silvino o rifle de ouro: vida, combates, prisão e morte do mais famoso cangaceiro do sertão. Recife: CEPE, 1997.

FERNANDES, Raul. Antônio Silvino no RN. Natal: CLIMA, 1990.

MELO, Frederico Pernambucano de. Quem foi Lampião. Recife/Zurich: Stahli, 1993.

MOURA, Severino Rodrigues de. Antônio Silvino. Revista de História Municipal, Recife, n. 7, p.139-142, ago. 1997.

PORTO, Costa. Os tempos da República Velha. Recife: Fundarpe, 1986. (Coleção pernambucana 2ª fase, v. 26). Edição conjunta de Os tempos de Barbosa Lima, Os tempos de Rosa e Silva, Os tempos de Dantas Barreto  e Os tempos de Estácio Coimbra.



COMO CITAR ESTE TEXTO:


Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Antônio Silvino. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.




                                                                     FONTE: fundaj.gov.br



                                                                      postado por tony josé Domingo,19 de agosto de 2012


terça-feira, 17 de julho de 2012

0 Dominguinhos

José Domingos de Moraes, conhecido como Dominguinhos, nasceu em Garanhuns, Pernambuco, no dia 12 de fevereiro de 1941, filho de um famoso tocador e afinador de foles, mestre Chicão.

         Aos seis anos de idade, ainda com o apelido de Neném do Acordeon, tocava pandeiro com seus irmãos Moraes (sanfona) e Valdomiro (malê, espécie de zabumba) no trio Os Três Pingüins.

O grupo apresentava-se em feiras e portas de hotéis de Garanhuns. Numa dessas exibições, em 1948, foi ouvido por Luiz Gonzaga, o conhecido Rei do Baião, que ficou encantado com Dominguinhos e prometeu-lhe uma sanfona de presente se algum dia ele resolvesse ir ao Rio de Janeiro.  

            Em 1954, sua família mudou-se para o Rio, radicando-se em Nilópolis. Dominguinhos procurou o Rei do Baião para cobrar-lhe a promessa, sendo presenteado com uma sanfona nova.

De posse do novo instrumento formou com Miudinho e Borborema o Trio Nordestino, passando a se apresentar em circos e arrasta-pés de pequenas cidades do interior do Rio.

Em 1956, já acompanhava Luiz Gonzaga em shows e gravações. O Velho Lua, seu padrinho musical, foi quem o apresentou ao mundo artístico do Rio de Janeiro na época.

Em 1957, foram a cidade de Vitória, no Espírito Santo, onde aprendeu a tocar outros gêneros musicais como boleros e sambas, para se apresentar emdancings e boates

Foi Luiz Gonzaga que mudou seu nome artístico de Neném do Acordeon para Dominguinhos, pois dizia que seu apelido de infância não o levaria a lugar algum.
Em 1965, Pedro Sertanejo, um dos pioneiros do forró no sul do país (pai de Oswaldinho do Acordeom), o convidou para gravar um disco LP (long-play) dirigido ao mercado de migrantes nordestinos em sua pequena gravadora Cantagalo.
         Dois anos depois, participou de uma das excursões musicais de Luiz Gonzaga como sanfoneiro e motorista, onde conheceu a cantora Lucinete Ferreira, a Anastácia, que se tornaria sua esposa e parceira em várias músicas como Eu só quero um xodó e Tenho Sede, êxitos na voz de Gilberto Gil, que o tornaram nacionalmente conhecido, além de outros sucessos como De amor eu morrerei, Lamento de saudade, Saudade matadeira e Forró em Petrolina.
         Participou de diversos festivais de música nacionais e tem diversos discos gravados. Até 1978, já havia gravado sete LPs.
Suas canções são interpretadas por nomes como Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Velloso, Elba Ramalho, Raimundo Fagner, entre outros.
Tem músicas em parceria com grandes nomes da música popular brasileira como Chico Buarque (Tantas palavras, Xote da navegação), Nando Cordel (De volta pro aconchego, Gostoso demais, Faz de mim, Isso aquí tá bom demais), Gilberto Gil  (Abri a porta Lamento sertanejo)Manduka (Quem me levará sou eu), Fausto Nilo (Pedras que cantam).
         É autor também de trilhas e temas musicais de filmes como O Cangaceiro(Aníbal Massaini Neto) e As Aventuras de um Paraíba (Marco Altberg).
         Na sua longa discografia estão incluídas a composição e gravação de choro, forró, xaxado, baião, coco, quadrilha, entre vários outros ritmos da música típica do Nordeste brasileiro.
O famoso Forró do Dominguinhos além de espalhar-se pelo País nos shows que ele fazia para platéias universitárias, virou um gênero musical. 


                                                         FONTE: fundaj.gov.br 

                           postado por tony josé terça-feira,17 de julho de 2012      

sexta-feira, 13 de julho de 2012

0 Geraldo Azevedo


Geraldo Azevedo (Petrolina, 11 de janeiro de 1945) é um compositor, cantor e violonista pernambucano. Iniciou sua trajetória musical quando, aos 18 anos, mudou-se para Recife a fim de estudar, onde conheceu Teca Calazans, cantora, Naná Vasconcelos, percussionista, Marcelo Melo e Toinho Alves que faziam parte do grupo folclórico Construção ao qual juntou-se. Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com a cantora Eliana Pittman. Fundou o Quarteto Livre que acompanhou o cantor Geraldo Vandré em diversas apresentações. A cantora Eliana Pittman em 1968, gravou "Aquela rosa" composição de Geraldo Azevedo. No incício da década de 70, junto com o também pernambucano Alceu Valença formou dupla, com a boa performance no Festival Universitário da TV Tupi com as composições "78 rotações" e "Planetário" a dupla chamou a atenção da gravadora Copacabana e em 1972, lançou com Alceu Valença, seu primeiro LP.

Geraldo Azevedo também é conhecido pelos seus incandescentes frevos (a dança de rua típica do carnaval pernambucano), muitas vezes seus shows se encerram com frevos eletrizantes, como "Tempo Tempero", "Pega Fogo Coração", "Tempo Folião", etc... É esta mistura, aliada a seu violão impecável, que o torna um dos mais conceituados músicos nordestinos.


É autodidata, aos 12 anos de idade já tocava violão. Ao mudar-se para Recife onde foi estudar, Geraldo se juntou ao grupo folclórico intitulado Grupo Construção onde conheceu Teca Calazans, Naná Vasconcelos , Marcelo Melo e Toinho Alves (componentes do Quinteto Violado) iniciando aí toda a sua trajetória musical.


Em 1967, seguiu para o Rio de Janeiro e depois de trabalhar com Eliana Pittman, juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin formando o Quarteto Livre, grupo que acompanhou Geraldo Vandré em seus shows até que, devido a problemas políticos com o governo militar, o grupo se dissolveu.


Foi depois de sua apresentação, junto com o amigo Alceu Valença, no Festival Universitário da TV Tupi, que Geraldo Azevedo teve o convite de gravar seu primeiro disco pela Gravadora Copacabana. Nesse mesmo ano a Copacabana lançou o disco "Alceu Valença & Geraldo Azevedo" marcando a estréia de dois jovens cantores e compositores que se tornaram dois dos maiores nomes da nossa música brasileira.


Participou de alguns importantes projetos coletivos de discos como "Asas da América", "Cantoria" e "O Grande Encontro", além de fazer parte de várias coletâneas. Mesmo não estando na boca da mídia nem vendendo números astronômicos, Geraldo Azevedo já se firmou como uns dois maiores músicos nordestinos da atualidade. 


                                                                    FONTE: Letras.com 

                              Postado por tony josé sexta-feira,13 de julho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

0 A MORTE DO VAQUEIRO


Raimundo Jacó Mendes Nasceu em 1916 no município de Exu, era primo legítimo de Luiz Gonzaga. Apesar da pouca idade, sua inteligência e coragem lhe renderam a experiência que foi reconhecida pelo proprietário do Sítio Lajes, em Serrita, que lhe deu o emprego de vaqueiro, em sua grande fazenda.
Jacó se destacou através de feitos que despertaram a admiração de muitos e a inveja de outros. Entre os invejosos está Miguel Lopes, com quem passou a ter uma rixa.
Narra a lenda que, o dono da fazenda ordenou que Jacó e Miguel Lopes fossem pegar na caatinga uma rês, arisca e estimada, que se afastou do rebanho, a data era 8 de julho de 1954.
Ao fim do dia Miguel Lopes volta à sede da fazenda, sozinho, sem comentar sobre Jacó e a rês. Os outros vaqueiros preocupados, no dia seguinte saíram à procura de Raimundo Jacó e em meio a caatinga encontraram-no morto, ao lado da rês ainda amarrada e o seu fiel cachorro latindo, sem sair de perto. Uma pedra manchada de sangue denunciava a covardia do assassinato.
Miguel Lopes foi incriminado, abriu-se um processo, mas foi arquivado por falta de prova e o crime ficou sem solução, caindo no esquecimento. Tomando conhecimento disso, Luiz Gonzaga protestou com música A Morte do Vaqueiro[1]
O assassinato de Raimundo Jacó deu origem a um evento religioso chamado Missa do Vaqueiro.


                                                           
                                                                                 Fonte: wikipedia.org
                                  postado por tony josé quarta-feira,26 de junho de 2012

                                                                              

quinta-feira, 21 de junho de 2012

0 Ciclo Junino


O ciclo junino chega com a participação do povo. Ricos e pobres festejam o ciclo junino que envolve danças, comidas típicas, superstições, adivinhações, crendices, fé e muita animação.

Para o ciclo junino são consagrados três santos do mundo católico durante o mês de junho. São eles: Santo Antônio, São João e São Pedro, que alegram as festas juninas. O mais popular em Portugal e no Brasil é Santo Antônio. Santo português, nascido em Lisboa no ano de 1195, é o preferido pelas mulheres como Santo casamenteiro. É também o Santo que sempre dá um jeitinho nas coisas e causas perdidas. Salienta Pereira da Costa:

[...algumas mulheres chegam até mesmo a tirar o menino Jesus dos braços de Santo Antônio para restituí-lo somente depois de realizado o milagre; viram o Santo de cabeça para baixo, tiram-lhe o resplendor e colocam sobre a tonsura uma moeda pregada com cera; e por fim, quando tarda o milagre [de fazer aparecer o marido], e cansadas já de tanto esperar, atam o Santo com uma corda, e deitam-no dentro de um poço, o que deu lugar, uma vez, a desaparecer a imagem porque era de barro e derreteu-se completamente ao contato d'água.


Também temos vários folhetos que retratam histórias com Santo Antônio. É o caso do folheto A moça que pisou Santo Antônio no pilão para casar com o boiadeiro, de José Costa Leite, que conta os sofrimentos do Santo nas mãos das vitalinas. Também, muitas adivinhações são feitas na véspera do dia 13 de junho, data comemorativa de Santo Antônio. No dia 12 junho, dia dos namorados, as moças utilizam as mais variadas adivinhações do nosso folclore para conseguir um marido (SOUTO MAIOR, 1977).
    
São João e São Pedro também são venerados no ciclo junino. São João é o primo de Jesus Cristo, nascido no dia 24 de junho, pregador da alta moral, áspero, intolerante e ascético. Segundo Câmara Cascudo  

o São João é festejado com alegrias transbordantes de um deus amável e dionisíaco com farta alimentação, músicas, danças, bebidas e uma marcada tendência sexual nas comemorações populares, adivinhações para casamento, banhos coletivos pela madrugada, prognósticos do futuro, anúncio de morte do curso do ano próximo... Segundo a tradição o Santo adormece durante o dia que lhe é dedicado tão ruidosamente pelo povo, através dos séculos e países. Se ele estiver acordado, vendo o clarão das fogueiras acesas em sua honra, não resistirá ao desejo de descer do céu para acompanhar a oblação e o mundo acabará pegando fogo.


Assim temos o hábito de acender fogueiras durante o ciclo junino, hábito vindo da Europa, quando as populações do campo festejavam a proximidade das colheitas e faziam sacrifícios para afastar os demônios da esterilidade, pestes de cereais, estiagens. Nos cultos agrícolas também acendiam-se fogueiras que foram divulgados pelo domínio do folclore e da etnografia européia.

Essa devoção ao culto de São João vinda de Portugal se espalhou pelo Brasil inteiro. Muitas adivinhações também são feitas na véspera de São João.

São Pedro também tem o seu espaço no ciclo junino. Discípulo, Santo chaveiro, primeiro papa, é festejado no dia 29 de junho juntamente com São Paulo. Padroeiro dos pescadores o Santo é festejado com uma procissão marítima.

E nesses festejos, ao som dos fogos e da fumaça das fogueiras, não podem faltar as comidas típicas que tornam as festas mais saborosas. Milho cozido, milho assado, canjica, pamonha, bolo de milho, ah! Que cheiro bom. Quem nunca mexeu uma canjica com colher de pau não sabe o verdadeiro gosto que tem a festa de São João. E o pé-de-moleque, a cocada, pipoca, beiju, bem-casado, bolo de macaxeira, manuê de milho, fazem o sabor natural da festa junina.

Nos arraiais acontecem as quadrilhas, de origem européia, dançadas nos salões dos palácios por volta do século XVIII, nos bailes da corte. Aquadrilha acompanha a zabumba, o triângulo e o sanfoneiro que dá o ar de sua graça no xén én én do forró. Eitá!! Que tá bom demais! Há também no início da quadrilha, o casamento matuto que consiste numa representação jocosa, onde as pessoas utilizam um linguajar característico do povo da roça e com um ar de malícia fazem o público se divertir com o espetáculo teatral. É presente também a língua francesa na marcação dos passos da quadrilha. O xote,o baião, o xaxado, coco e a polca, fazem os ritmos dos festejos juninos. Contamos também com a presença dos bacamarteiros nos festejos juninos, que segundo Olímpio Bonald Neto:

[...] seria a representação simbólica do cangaceiro, a figuração sublimada do guerrilheiro das caatingas, com todo seu conteúdo místico e aventureiro que se expande a se reafirmar pacificamente, gastando as tendências agressivas de modo inofensivo, aplicando de forma artística os excessos aguerridos na figura folclórica do atirador espetaculoso.

Os bacamarteiros enfeitam as festas juninas exibindo os seus bacamartes que contém cargas com pólvora seca, emitindo um estrondo em homenagens aos Santos padroeiros ou cerimônias cívicas e políticas.

Existe também o acorda povo, que é uma procissão realizada na noite de São João, para acordar São João. Por isso quando alguém dorme muito, o dito popular acusa: "dormiu igual a São João".

Porém, as quadrilhas vêm se transformando. Clóvis Cavalcanti em seu artigo, São João "estilizado", revela sua preocupação:

vê-se nessa transformação, por um lado, uma perda lamentável de identidade, um abandono de nossas ricas raízes folclóricas e, por outro, uma massificação sem sentido que nivela e igualiza modos de comemorar o São João que tinham sabor específico em cada forma local dos festejos. No meu entender por trás de tudo isso residiria um empobrecimento cultural assustador de nossa sociedade.

Desse modo, até a capital do forró, que é Caruaru, está sendo chamada de "Disneylândia do forró". A nossa festa tradicional virou uma festa massiva, um comércio de artigos da nossa região. Tem até kits para participar das quadrilhas que estão sendo chamadas de "drilhas" como: machadrilhas, gaydrilhas, babydrilhas, entre outras. Utilizam uma indumentária com brilhos de muitos enfeites e babados que não se adaptam ao nosso clima. Néstor Garcia Canclini diz que "o kitsch é a resposta de como ser elegante na época de cultura de massas".

Recentemente, as associações dos compositores cantadores e músicos de Caruaru, protestaram porque não estão tendo espaço para tocar na festa de São João, onde os forrós eletrônicos vem ganhando cada vez mais espaço. Nossas raízes folclóricas estão se moldando na cultura de massas. Antes, a diferença era que trazia e fazia o brilho das quadrilhas com a criatividade e originalidade dos integrantes que participavam da mesma. Hoje, o ciclo junino, mesmo perdendo esse "sabor específico" e ganhando o "cheiro da tecnologia" não deixará de ser evidenciado, mas não podemos descaracterizar o que é nosso. É uma pena que estejam transformado a simplicidade dos festejos juninos em um grande festival. Sou a favor do forró pé de serra no chão batido, da fogueira no quintal, do cheiro da canjica ainda no fogo, da fumaça que chega a arder nos olhos, do chapéu de palha, da saia de chita , das músicas de Luiz Gonzaga ao som da sanfona, da zabumba e do triângulo, das bandeirinhas que enfeitam os arraiais, do chinelo de couro e da chuva que ajuda a encher os salões para todo mundo dançar o forró. Essa lembrança do interior, que vem com o ciclo junino desperta um sentimento de "originalidade" nos nordestinos. Esse sentimento só é permitido porque é tempo de São João!


                       Fonte: FUNDAÇÃO Joaquim Nabuco

               postado por tony josé quinta feira,21 de junho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

0 15 Anos Sem Chico Science


Francisco de Assis França, filho de Francisco França e Rita França, nasceu em 13 de março de 1966, no interior de Pernambuco.

Na década de 1970, sua família migrou para o Recife em busca de melhores condições de vida. Residiram por pouco tempo na cidade, logo mudando-se para o bairro de Rio Doce, no município de Olinda, onde Chico Science, juntamente com seus irmãos, viveu a maior parte da sua vida entre os mangues e o urbano, paisagem que tornou-se um marco na sua trajetória artística e permanente fonte de inspiração.

Nos anos de 1980, em plena adolescência, Chico trabalhava em biscates para ganhar dinheiro e poder freqüentar os bailes funk. Era um apaixonado da arte e da música regional, como o frevo, a ciranda, o maracatu e outros estilos folclóricos. Seus ídolos eram James Brown, Sugar Hill Gang , além de outros nomes da chamada Black Music.

Em 1984, juntou-se ao grupo de danças de rua, Legião Hip-Hop, onde aprendeu muito sobre poesia, música, letras e a liberdade para pensar e criar em cima de situações cruéis da sociedade contemporânea.

A partir dessa época, Chico Science foi amadurecendo o seu espírito revolucionário que passou a ser visualizado no seu comportamento e nas suas perfomances. Procurou unir a tradição cultural, a linguagem, o povo e as suas necessidades. As letras das suas músicas eram direcionadas à realidade de uma sociedade que clama por um mundo mais ético e menos cruel. Questionava o progresso, propunha mudanças e justiça social, através de uma linguagem crítica do homem/caranguejo/mangue/urbe, com a intenção de criar uma nova sociedade democrática e justa.
Na década de 1990, uniu-se ao grupo afro Lamento Negro, do bairro de Peixinhos, no Recife. Fizeram uma parceria, cujo gênero musical resultou numa mistura de ritmos de maracatu regional ao som de tambores, atabaques, guitarras, frevo, embolada, xaxado, samba-reagae, rap e rock. A estréia oficial do novo grupo que se chamou Chico Science e Nação Zumbi, aconteceu no Espaço Oásis, em Olinda, no dia 1º de junho de 1991. No show o grupo faz pesadas críticas às condições da população e à cidade do Recife, onde há muita marginalidade, pobreza e uma grande quantidade de crianças e adolescentes viciados em drogas dormindo em calçadas.

No primeiro Festival "Abril Pro Rock" em 1994, a Banda Chico Science e Nação Zumbi, foi um dos primeiros grupos a lançar o movimento do mangue, com um estilo rock adrenalítico, uma mistura de maracatu e cibernética, denominado "Afrociberdélia", cujo ponto de fusão era um comportamento e um estado de espírito das cabeças pensantes do manguebeat. A definição de toda essa expressão artística é: a África, enquanto raízes culturais e genéticas;cibernética, como extensão digital-eletrônica do corpo e psicodélia, o exercício e equilíbrio da mente liberta e criadora. Este estilo musical é um marco referencial na sociedade pernambucana, cujo princípio básico foi a criação de um novo rock genuinamente pernambucano.

Como artista popular e crítico social, Chico Science soube desempenhar bem o seu papel. Semeou a arte criativa e o sentimento nacionalista em defesa da cidadania e do patrimônio sociocultural, com fortes raízes fincadas na lama do mangue pernambucano e brasileiro, com o propósito de mostrar e conectar o Brasil ao mundo.

No dia 2 de fevereiro de 1997, Chico Science faleceu em conseqüência de um acidente automobilístico, no Complexo de Salgadinho (Recife), nas proximidades de um mangue, cenário escolhido por ele para exaltar nas suas canções, dentro do contexto social e dos valores culturais da sociedade pernambucana.

Chico Science será lembrado não somente como um cantor e compositor que abriu novos caminhos para um estilo novo de música pop, o rock pernambucano, que revolucionou a estética, sem perder as raízes, mas como um artista que amava a arte e o povo do mangue de Pernambuco e do Brasil.
     

       
                                               FUNDAÇÃO:Joaquim Nabuco

                    postado por tony josé quarta-feira,20 de junho de 2012                                       

                                            






terça-feira, 10 de abril de 2012

0 Moraes Moreira

Antônio Carlos Moreira Pires nasceu em Ituaçú BA em 08 de Julho de 1947. Criado no sertão da Bahia, desde cedo tocava sanfona, que mais tarde substituiu pelo violão e pela guitarra. Em 1966 mudou-se para Salvador BA e entrou em contato com o rock and roll, e também com as criações de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Edu Lobo. Arranjou emprego num banco, e em noitadas de violão na própria pensão onde morava, conheceu Paulinho Boca de Cantor e Luís Galvão, com os quais criaria o grupo Os Novos Baianos, que estreou em 1968.
Em 1975 deixou o grupo para seguir carreira individual. A partir dessa época, foi um dos responsáveis pela afirmação e pelo crescimento do Carnaval de rua em Salvador. Em 1976 fez grande sucesso no Carnaval baiano, como cantor do Trio Elétrico de Dodô e Osmar. Lançou em 1978 Pombo correio, que se tornou grande êxito carnavalesco nacional. A partir de 1983, passou a desenvolver o Projeto Brasil, uma série de shows pelas capitais do pais, com repertório carnavalesco, frevos e marchas como Grito de guerra e Festa do interior. Nessa época, decepcionado com a organização do Carnaval de Salvador (excesso de turistas, perda de autenticidade em favor do espetáculo etc.), começou a orientar seu trabalho de compositor e intérprete para um caminho mais acústico e com mais integração entre o erudito e o popular. Dessa nova vertente saíram dois discos: O Brasil tem concerto e Morais Moreira acústico. Em 1991 lançou o disco Cidadão, com destaque para Leda, parceria com Paulo Leminski. Lançou em 1993 o disco Terreiro do mundo, destacando-se Agradeça ao Pelo (com Neguinho do Samba).

Comemorou 50 anos de idade em 1997, com o CD Estados, que incluiu o sucesso Sinal de vida. Lançou também pela Virgin o CD 50 Carnavais, com sete inéditas e cinco regravações de antigos sucessos. Entre suas principais composições estão: Que papo e esse e Cidadão (com Capinam), Arco- íris (com Sivuca e Glorinha Gadelha), Rádio Cidadão (com Fred Gois), Estado de graça (com Armandinho), Meninas de Minas Gerais (com Tony Costa e Guilherme Maia), Os carapintadas e Festa do interior (com Abel Silva), Forro do ABC (com João Santana), Monumento vivo (com Davi Morais, seu filho, gravada por Daniela Mercury), Acabou chorare, Preta pretinha, É ferro na boneca, De Vera, Colégio de Aplicação e Felicidade no ar (estas seis com Luís Galvão). Entre outros, seus principais interpretes são: Gal Costa, que transformou Festa do interior na musica mais tocada de 1982, Maria Bethânia, Simone, Fagner, Ney Matogrosso, Zizi Possi, Elba Ramalho, Marisa Monte e Daniela Mercury.


DISCOGRAFIA

 
  • (2009) Moraes Moreira - A História dos Novos Baianos e Outros Versos • Biscoito Fino
  • (2005) De repente • Rob Digital • CD
  • (2003) Meu nome é Brasil • MZA Music • CD
  • (2000) Bahião com H • Atração Fonográfica • CD
  • (1999) 500 sambas • Abril Music • CD
  • (1997) 50 Carnavais • Virgin • CD
  • (1997) Infinito circular. Os Novos Baianos • PolyGram • CD
  • (1996) Estados • Virgin • CD
  • (1995) Acústico Moraes Moreira • Virgin/EMI-Odeon • CD
  • (1994) O Brasil tem conserto • PolyGram • CD
  • (1993) Terreiro do mundo • PolyGram • CD
  • (1993) Tem um pé no pelô • Som Livre • CD
  • (1991) Moraes e Pepeu no Japão • WEA • LP
  • (1991) Cidadão • Sony Music • CD
  • (1990) Moraes e Pepeu. Moraes Moreira e Pepeu Gomes • WEA • LP
  • (1988) Bahiano fala cantando • CBS • LP
  • (1988) República da música • CBS • LP
  • (1987) Mestiço é isso? • CBS • LP
  • (1986) Tocando a vida • CBS
  • (1985) Tenda dos Milagres • Som Livre • LP
  • (1984) Mancha de dendê não sai • CBS • LP
  • (1983) Pintando o oito • Ariola • LP
  • (1982) Coisa acesa • Ariola • LP
  • (1981) Moraes Moreira • Ariola • LP
  • (1980) Bazar brasileiro • Ariola • LP
  • (1979) Lá vem o Brasil descendo a ladeira • Som Livre • LP
  • (1978) Alto falante • Som Livre • LP
  • (1977) Cara e coração • Som Livre
  • (1976) Roque Santeiro • Som Livre • LP
  • (1975) Moraes Moreira • Som Livre • LP
  • (1975) Gabriela • Som Livre • LP
  • (1974) Linguagem do alunte. Os Novos Baianos • Continental • LP
  • (1973) Novos Baianos Futebol Clube. Os Novos Baianos • Continental • LP
  • (1972) Acabou chorare. Os Novos Baianos • Som Livre
  • (1971) Novos Baianos final do juízo. Os Novos Baianos • PolyGram • Compacto simples
  • (1969) Ferro na boneca. Os Novos Baianos • RGE • LP
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:                                                                                    Fonte: webletras.com.br
                                                                                             mpbnet.com.br

                                                                   postado por tony josé terça-feira,10 de abril de 2012

    mel de abelha

     
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