quarta-feira, 12 de setembro de 2012

0 Carro de Boi

Sendo originário da Idade da Pedra ou do período Neolítco, o carro de boi surgiu no Brasil com os primeiros engenhos de açúcar, na época da colonização portuguesa.
Foi um dos primeiros instrumentos de trabalho, além do mais antigo e principal veículo de transporte utilizado no País, principalmente nas áreas rurais, por quase três séculos.
O carro é composto por duas rodas, um grade ou mesa de madeira e umeixo. As rodas são feitas de madeira de boa qualidade, com um anel de ferro de forma circular nas extremidades, para garantir maior resistência. Primitivamente, o carro não era ferrado e as pessoas diziam que “o carro andava na madeira”. A grade possui cerca de três metros de comprimento por um e meio de largura, com duas peças mais resistentes de cada lado e uma terceira no meio, mais comprida, destinada a atrelar o carro à canga, uma peça, também de madeira, com mais ou menos um metro de comprimento, contendo um corte anatômico para assentar bem no pescoço do boi, sendo segura por uma correia de couro chamada de brocha. A grade é apoiada sobre um eixo. O ponto de apoio da grade sobre o eixo são duas peças de madeira chamadas cocão. O chiado ou cantiga característica do carro de boi é produzido pelo atrito do cocão sobre o eixo.
As madeiras utilizadas na construção dos carros de boi tinham que ser fortes, principalmente as das rodas. As mais usadas eram o pau d`arco, aaroeira, sucupira, a carnaubeira.
O carro de boi pode ser puxado por uma, duas ou mais juntas ou parelhas. Cada junta possui dois bois, que trabalham um ao lado do outro, unidos pelacanga.
Nos terrenos mais planos e em trabalhos mais leves utiliza-se, normalmente, uma parelha e nos mais pesados, desenvolvidos em terrenos mais acidentados, duas ou mais, uma atrás da outra. As parelhas são conjugadas por uma corrente que liga as cangas.
Nos engenhos, durante o verão, época da moagem, o boi era atrelado ao carro para transportar a cana e o açúcar e, no inverno, ao arado para revolver e cavar a terra destinada ao plantio da cana-de-açúcar.
O condutor do carro que comanda os bois é chamado de carreiro. Normalmente, utiliza uma vara fina, com mais ou menos três metros de comprimento, contendo uma ponta de ferro para ferroar o animal, castigando-o ou indicando a direção a ser seguida. Usa também um chapéu de couro, umpeitoral e um facão, colocado numa bainha de couro pendurado no cinto.
Os bois se acostumam de tal forma com o carreiro que, muitas vezes a um simples chamado dele, se dirigem vagarosamente e ficam parados próximo ao local onde são normalmente encangados. Batizados com nomes pitorescos, como Cara Preta, Presidente, Azulão, Lavareda, Malhado, Pachola, Curió, atendem pelo nome ao chamado do carreiro.
No início o linguajar do carreiro, elemento fundamental para a manobra dos carros de boi, não passava de sons gaguejados como “ôu!”... para parar os bois ou “êi!”... para fazê-los descer ladeiras. Evoluiu depois para frases e expressões tipo “Vamos embora!” e “Volta boi Azulão!” “Carrega boi Malhado!” O carreirodirigia-se ao animal específico que queria comandar, sendo seus gritos reconhecidos e atendidos.
Além de ajudar no transporte de cana, açúcar e lenha nos engenhos, o carro de boi servia para transportar mudanças e conduzir pessoas. Havia tambem uma versão coberta. Foi utilizado como carruagem para a nobreza rural brasileira; como transporte de bandas de música das cidades para o interior e vice-versa; para levar as famílias sertanejas às festas de Natal e Ano Novo, quando eram todos enfeitados para a missão e, ainda, nas campanhas políticas, servindo de elemento de aproximação entre eleitores e candidatos.
Nos anos de 1939 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, devido à falta combustível para caminhões e automóveis, o carro de boi voltou a aparecer, por algum tempo em certas regiões do País ajudando a transportar cargas e pessoas.
Atualmente, em Goiás, é utilizado pelos romeiros que vão da cidade de Damolândia para o Santuário do Divino Pai Eterno, no município de Trindade (a cerca de 74km de distância) para participar da Festa de Trindade, que acontece no final do mês de junho e início de julho. Os carros são enfeitados e participam de um desfile que é muito concorrido e apreciado pelos participantes da festa.
Na história do Brasil, o carro de boi aparece na Colônia, no Império, na República, na Revolução de 1930, no Estado Novo. Pode apresentar variações de “modelos” e nomes: carro, carroça ou carreta, como no Rio Grande do Sul, porém, nenhuma cidade, vila, povoação, fazenda, sítio, do litoral ao sertão ignora a existência deste rústico e primitivo meio de transporte, que ajudou a fazer a história do Brasil.

O carro de boi ronceiro
foi o veículo primeiro
no Nordeste do Brasil!

O carro de boi, coberto
de ganga*, toda florada
Levava em dia de festas
Pela soalheira estrada,
pela sombria floresta,
Sinhazinhas e Sinhás!...

E que cantiga dolente
para a alma dessa gente,
não tinha o carro de boi?

Hoje se um automóvel,
passa veloz, fonfonando,
deixa a saudade acordando
do tempo que já se foi...
Do carro de boi coberto
de ganga toda florada...

As pálidas sinhazinhas
transformaram-se em “granfinas”...
............................................

Desses carros, restam ruínas
Na bagaceira do engenho...

João Rogério,
pseudônimo do poeta pernambucano Regis Velho.


                                           FONTE: Fundação Joaquim Nabuco

               postado por tony josé quarta-feira,12 de setembro de 2012

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

0 Antonio Nóbrega

Antonio Carlos Nóbrega é violinista, cantor, dançarino e ator. Nasceu no Recife, no dia 2 de maio de 1952. Até os dez anos de idade, viveu em várias cidades do interior de Pernambuco, pois em decorrência da profissão de seu pai, médico sanitarista, era obrigado a mudar-se periodicamente.
      Foi aluno do Colégio Marista do Recife. Aos 12 anos, ingressou na Escola de Belas Artes do Recife, onde estudou violino clássico com o professor catalão chamado Luis Soler e canto lírico com Arlinda Rocha.
      De formação clássica, Antonio Nóbrega iniciou sua carreira na Orquestra de Câmara da Paraíba, na capital João Pessoa, ali permanecendo até final dos anos 1960. Na mesma época participou da Orquestra Sinfônica do Recife, onde se apresentava também como solista.
      Por essa época, Antonio Nóbrega embora de formação erudita, participava de um conjunto de música popular com suas irmãs e, de vez em quando, compunha músicas que apresentava com elas, no Recife, na época dos festivais da televisão.
      Em 1971, foi convidado pelo escritor Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial na qualidade de violinista, quando gravou então quatro discos e excursionou pelo mundo divulgando a música tradicional nordestina.
       Daí em diante, sua carreira deslanchou. Passou a manter contato mais estreito com todas as expressões da cultura popular, como os brincantes de caboclinho, de cavalo-marinho e outras que se tornaram objeto de suas pesquisas. Revelava-se então um artista multidisciplinar, pois além de conseguir fazer uma mixagem entre a arte erudita e a arte popular era capaz de cantar, dançar, tocar bateria, rabeca, violão e ter habilidades circenses.
       Em 1976, dirigiu seu primeiro espetáculo intitulado A Bandeira do Divino que estreou no Recife e, depois, A arte da cantoria, espetáculo que participou do Primeiro Festival Internacional de Teatro, em São Paulo, promovido por Ruth Escobar. Em 1983, foi para São Paulo com o espetáculo Maracatu Misterioso, um solo que contava com a participação de sua esposa Rosane (no papel de contra-regra e, ao mesmo tempo, atuando no espetáculo).
       Em São Paulo, Antonio Nóbrega deu início a outra fase da sua carreira artística. Foi um dos fundadores do Departamento de Artes Corporais da Universidade de Campinas (Unicamp) e também do Circo Brincante de São Paulo.
        Em 1989, criou o espetáculo O Reino do Meio-Dia, seguido por Brincantes e Segundas Histórias. Esses dois espetáculos foram estrelados por seu personagem Tonheta que nasceu de uma tipologia popular, uma espécie de colcha de retalhos de diversos tipos comuns em praças e ruas do Brasil. Entre os grandes espetáculos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, destaca-se Figural, em 1990. Nesse espetáculo, Nóbrega, sozinho no palco, tem um desempenho admirável, com mudança de roupas e de máscaras para fazer ricas e variadas demonstrações da cultura popular brasileira e mundial. Em 1996, criou o espetáculo Na Pancada do Ganzá (baseado na viagem etnográfico-musical de Mário de Andrade pelo Brasil). Na sequência criou Madeira que cupim não rói. Esses dois shows foram lançados em CDs pelo Estúdio Eldorado.
        Mantém em São Paulo a Escola e Teatro Brincante, um centro cultural que promove eventos e cursos ligados à dança, música e arte circense. Entre os prêmios recebidos pode-se destacar o Troféu Mambembe, pelo conjunto de sua obra; o Prêmio O Globo, pelo melhor show do ano; além do Prêmio Sharp, pelo melhor CD, Na pancada do Ganzá; e o Prêmio Apca de Projeto e Pesquisa Musical do Ano.
         O espetáculo 9 de frevereiro (frevo + fevereiro), que é uma homenagem ao carnaval de Pernambuco, ficou em cartaz, em São Paulo, até 12 de novembro de 2006, para, em seguida, ser exibido no Rio de Janeiro. Esse espetáculo apresenta o frevo nas suas várias formas de ser tocado: executado por orquestra de sopro, por conjunto regional, por violino, por instrumentos de percussão ente outros e diversas formas de ser dançado: por um só dançarino (Nóbrega) em passos estilizados de dança moderna, com vários dançarinos em passos de frevo, com e sem sombrinha e até com todo o público, em ciranda de frevo.
        O espetáculo também apresenta um momento para ensinar mais sobre o frevo. A orquestra explica as modalidades e costumes da dança e Antonio Nóbrega ensina uma pessoa da platéia a fazer os passos.
         Segundo Coelho e Falcão (1995) Antonio Nóbrega é um desaguadouro de múltiplas vertentes, entre elas, as das criações do folclore, das histórias picantes, da literatura de cordel, do circo mambembe, das folias carnavalescas e das mais variadas manifestações 
                                    
                      FONTE: Fundação Joaquim Nabuco
                              postado por tony  josé sábado,8 de setembro de 2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

0 Expressões populares

Veja também a Atividade Pedagógica Expressões Populares!

                  
[...]  a vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil...
                         Manuel Bandeira, Evocação do Recife                              

  
          A pesquisa, o registro e a reunião de vocábulos e expressões populares, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, foi sempre uma preocupação para pesquisadores e folcloristas como Alfredo de Carvalho, Pereira da Costa, Luís da Câmara Cascudo e Mário Souto Maior, entre outros.

         O povo é que faz a língua, adicionando termos e expressões. É importante salientar que a maioria das expressões populares existentes no português falado no Brasil, tem origem no Norte e Nordeste, onde a língua falada e escrita, nesse idioma, foi mais desenvolvida por causa do processo de colonização.

         Por ser um país de proporções geográficas enormes, o Brasil possui muitas expressões lingüísticas regionais: o linguajar gaúcho, com influências das suas fronteiras; a influência portuguesa, no linguajar nortista; o modo do nordestino se expressar; a gíria carioca; expressões típicas de Minas Gerais e São Paulo. Hoje, com a tecnologia eletrônica e as facilidades na comunicação entre as pessoas, as expressões populares “viajam” pelo território nacional, tornando-se mais conhecidas. Até as novelas de televisão as utilizam.

         Algumas expressões populares típicas do Nordeste:
 
a torto e a direito- indiscriminadamente;
abestado – bobo, abestalhado;
aboletar-se – instalar-se;
acocho –aperto, arrocho;
amofinado – aborrecido, infeliz;
aperreado – nervoso, preocupado;
arretado – irritado ou então algo muito bom;
assim ou assado – de uma maneira ou de outra;
assobiar e chupar cana- fazer duas coisas ao mesmo tempo;
atanazar – aborrecer, importunar;
atirar pedra em casa de marimbondo- mexer com quem está quieto e se arriscar;
bagunçar o coreto – anarquizar, cometer desordem;
balela – boato, conversa fiada;
bater o facho – morrer;
berloque – pingente, enfeite;
birinaite – bebida alcoólica;
bisaco – saco, sacola;
botar as barbas de molho – tomar as devidas precauções;
brocoió – medíocre, caipira;
bugigangas – coisas sem valor;
cabreiro – desconfiado;
cachete – comprimidos, pílulas;
cafua – depósito, lugar pequeno;
cafundó – lugar muito longe;
cascavilhar – procurar, investigar;
chamaril – coisa para chamar a atenção;
chinfrim – coisa ordinária;
cutucar o cão com vara curta – mexer com quem está quieto e se arriscar;
deforete – tomar uma brisa, ao ar livre;
degringolar – desordenar, desorganizar, algo que dar errado;
derna – desde
destambocar – tirar pedaço;
destrambelhada – desajustada metal;
empeiticar – importunar; 
empiriquitado – enfeitado;
encangado – junto, pregado;
espoletado – danado da vida, com raiva;
estrambólico – extravagante, esquisito;
faniquito – desmaio, chilique;
fiofó – traseiro;
fuleiro – sem muito valor, ordinário;
fulustreco – fulano;
fuzuê – barulho, confusão;
gaitada – risada estridente, gargalhada;
gastura – incômodo, mal-estar;
goga – contar vantagem, vaidade;
guenzo – magro, esquelético;
inhaca – mau cheiro, catinga, fedor;
inté – até logo;
jururu – triste, pensativa;
labrugento ou lambugento – serviço malfeito;
lambança – desordem, barulho;
levar gato por lebre – ser enganado, logrado;
levar desaforo pra casa – acovardar-se, não reagir;
macambúzio – tristonho, pensativo;
malamanhado – desarrumado;
manzanza – preguiça, demora;
mundiça – gente sem educação;
nadica – nada;
nopró – indivíduo difícil;
nos trinques – nos conformes;
oião – curioso, enxerido;
onde o diabo perdeu as botas – lugar ermo, distante;
pantim – exageros, espantos;
peba – coisa ordinária;
peitica – insistência incômoda;
pendenga – assunto por acabar;
penduricalho – enfeite;
pé-rapado – pobretão;
pinicar – beliscar;
pinóia – expressão de aborrecimento;
piripaque – passar mal;
potoca – mentira;
rabiçaca – sacudidela, movimento;
salceiro – barulho, confusão;
samboque – pedaço;
sorumbático – tristonho, pensativo;
sustança – força, vigor;
trepeça – algo que não serve pra nada;
virar defundo – morrer;
virar o copo – ingerir bebida alcoólica;


                                                    Fonte:fundaj.gov.br
                postado por tony josé segunda-feira,20 de agosto de 2012

domingo, 19 de agosto de 2012

0 Canhoto da Paraíba


O músico e compositor Francisco Soares de Araújo, conhecido como Canhoto da Paraíba, nasceu de uma família de músicos – avô clarinetista, o pai tocava violão, os irmãos (nove) revezavam-se entre outros instrumentos – aos dezenove dias do mês de maio de 1928, na cidade de Princesa Isabel, sertão da Paraíba.

            Canhoto da Paraíba é considerado por expoentes musicais brasileiros – Pixinguinha, Luperce Miranda, Dilermando Reis, Jacob do Bandolim, Radamés Gnatalli, Paulinho da Viola, entre outros – um violonista de primeira grandeza e esse reconhecimento deve-se ao seu talento e à sua técnica de tocar o violão num estilo contrário ao da escola de violão convencional: do lado esquerdo, sem precisar inverter as cordas. Aliás, ele adotou essa técnica quando tinha 12 anos.  O instrumento era compartilhado com os irmãos e, por isso, ele não podia transformá-lo num violão que somente os canhotos pudessem dedilhar. Desta forma, observava seu pai tocando e ia aprendendo.

            O curioso é que para escrever ele utiliza a mão direita; para chutar bola, o pé direito, mas para realizar qualquer serviço utiliza a mão esquerda, inclusive para tocar violão, cavaquinho e bandolim.

            Sua trajetória musical iniciou-se em 1948, quando viajou para o Recife para participar de um programa na Rádio Clube de Pernambuco. Em 1953, assinou contrato com uma rádio da Paraíba. Nessa época, já havia formado um conjunto musical. Em 1958, mudou-se para o Recife e, no ano seguinte,  numa excursão de músicos nordestinos, viajou para o Rio de Janeiro. Lá, ele participou de um sarau na famosa casa de Jacob do Bandolim, onde estava presente a nata do choro carioca. Canhoto da Paraíba tocou violão magistralmente e despertou o entusiasmo e a admiração de todos.

            Autor de mais de 80 canções, Canhoto da Paraíba já se apresentou em shows com grandes nomes da música popular brasileira e gravou alguns discos:Único Amor (1968) e  Um violão direito nas mãos do Canhoto (1974), que saíram pelo selo da extinta  Rozemblit;  Canhoto da Paraíba com mais de mil (também conhecido como Violão brasileiro tocado pelo avesso) produzido por Paulinho da Viola para Discos Marcus Pereira; Fantasia nordestina volume dois(1990), produção independente de Geraldino Magalhães e Lula Queiroga;Pisando na brasa (1990), último trabalho solo, gravado pela Kuarup; e, em 1993, sai o CD Instrumental no CCBB: Canhoto da Paraíba e Zimbo Trio, pelo selo Tom Brasil.

            Em 1998, Canhoto da Paraíba sofreu uma isquemia cerebral que paralisou o braço esquerdo e o impede de tocar até hoje. No mês de maio deste mesmo ano, sabedores do seu estado grave, em sua homenagem e para ajudá-lo a cobrir as despesas médicas e de tratamento intensivo, vários dos grandes nomes do chorinho e do samba realizaram um show beneficente no Teatro Guararapes, Recife.

            Canhoto da Paraíba está no Recife desde 1958 e, atualmente, mora com as filhas, fruto de dois casamentos, no bairro de Maranguape I, cidade de Paulista, Pernambuco.

            Francisco Soares de Araújo, o Canhoto da Paraíba, foi um dos contemplados como Patrimônio Vivo de Pernambuco através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002.

             Faleceu na cidade do Recife, no dia 24 de abril de 2008.

                                                                  
                                                                FONTE: fundaj.gov.br

                                                

                                     postado por tony josé Domingo,19 de agosto de 2012   

                                                                          

                                                                                               



                                                                     

0 Antônio Silvino


Manoel Batista de Morais nasceu no dia 2 de novembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, uma pequena cidade situada às margens do rio Pajeú das Flores, sertão do Estado de Pernambuco. Era filho de Francisco Batista de Morais e de Balbina Pereira de Morais. Na juventude, ficou conhecido como Batistinha (ou Nezinho). Seus dois irmãos eram Zeferino e Francisco.

Batistinha possuía um tio chamado Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque que, após ter brigado com os partidários do General Dantas Barreto (governador de Pernambuco), decidira organizar um bando e, desde então, vivia espalhando o terror pelos sertões adentro.

Desse grupo, faziam parte: Luís Mansidão e o seu irmão, Isidoro, Chico Lima, João Duda, Antônio Piúta e, posteriormente, os seus sobrinhos Zeferino e Manoel Batista de Morais (Batistinha).

Silvino Aires vivia fugindo do cerco da polícia, mas foi preso enquanto dormia, pelo Capitão Abílio Novais, perto de Samambaia, distrito de Custódia, em Pernambuco. Com a prisão do tio e bandoleiro, Batistinha assumiu o comando do cangaço, mudou o seu primeiro nome para Antônio (não se sabe, até hoje, o motivo) e, o segundo, para Silvino, em homenagem ao familiar e ex-chefe que tanto admirava.

A partir daí, passou a ser conhecido com o nome de guerra de Antônio Silvino e apelido de "Rifle de Ouro". Um pouco antes de Lampião, ele representou o mais famoso chefe de cangaço, substituindo cangaceiros célebres tais como Jesuíno Brilhante, Adolfo Meia-Noite, Preto, Moita Brava, o tio - Silvino Aires - e o próprio pai - Francisco Batista de Morais (conhecido como Batistão).

Batistinha havia entrado no cangaço com o seu irmão, Zeferino, para vingar a morte do pai, Batistão do Pajeú, que havia tombado morto em um dos combates com a polícia. Batistão era um homem provocador, um bandoleiro, bastante marcado pela polícia e autor de vários homicídios. Certa vez, ousou entrar em Afogados da Ingazeira, em um dia movimentado de feira. Daí, o chefe político local, coronel Luís Antônio Chaves Campos, contratou um matador profissional (Desidério Ramos, que, como o coronel, também era desafeto de Batistão), e este liquida o cangaceiro com um tiro de bacamarte. O corpo de Batistão permaneceu inerte, em uma rua próxima à feira. Era o ano de 1896.

Desidério, gozando da cobertura do coronel e chefe político da região, permaneceu impune e bem protegido no sertão. Jamais demonstrou possuir o menor temor de Antônio Silvino, a despeito de o cangaceiro amedrontar a todos. Sendo assim, depois de muito chorar a perda do genitor, os filhos de Batistão juraram vingar a sua morte, roubando, assaltando e matando todos aqueles que colaboraram para tal.

Algumas pessoas acreditavam, inclusive, que Antônio Silvino não possuía "maus instintos", que não cometia violências à toa, do tipo assaltar pessoas, estabelecimentos, povoados e cidades sem haver um motivo justo. Os integrantes do seu bando só se vingavam daqueles que lhes armavam emboscadas, dos que os denunciavam à polícia, das volantes que os perseguiam. Quando muito, se não agiam exatamente dentro da lei, isto era justificado, segundo eles, pela necessidade de angariar elementos básicos para a sobrevivência do bando: comida, dinheiro, roupa, armamentos.

Outras pessoas afirmavam, contudo, que Antônio Silvino vivia espalhando o terror nos municípios das Zonas da Mata e Agreste de Pernambuco, e nos sertões deste Estado e da Paraíba. Sobre os feitos e a valentia daquele cangaceiro, o cantador popular Leandro Gomes de Barros escreveu:

Onde eu estou não se rouba
Nem se fala em vida alheia,
Porque na minha justiça
Não vai ninguém pra cadeia:
Paga logo o que tem feito
Com o sangue da própria veia.

Quando Silvino Aires morreu, vários indivíduos perigosos entraram em seu bando e começaram a espalhar o terror por toda a parte. Foram eles: Cavalo do Cão, Relâmpago, Nevoeiro, Bacurau, Cobra Verde, Azulão, Cocada, Gato Brabo, Rio Preto, Pilão Deitado, Barra Nova, Cossaco, entre outros. Antônio Silvino, como chefe, passou a usar a farda de coronel, apresentando-se com cartucheiras, punhal na cintura, bornais e um rifle na mão e, por questão de poder e vaidade, exigia que todos o chamassem de "capitão".

A esse respeito, Mauro Mota registrou um episódio vivenciado por Antônio Silvino. Ao invadir uma cidade na Paraíba, o famoso cangaceiro se dirigiu à casa de um delator e disse, em público, que ia matá-lo. A esposa da vítima, desesperada, pediu-lhe, então: "Capitão, não mate o meu marido. Tenha pena de uma pobre mulher e de crianças que vão ficar órfãs."

Ao que o cangaceiro lhe respondeu: "[...] Antônio Silvino não sabe negar nada a uma mulher aflita." [...] "Perdôo-lhe a vida, mas, para não ficar sem castigo, vou mandar dar-lhe uma pisa."

Ao que a mulher voltou a lhe solicitar: "Capitão, se é para humilhar meu marido, o senhor me desculpe: em um homem não se dá! Mande logo matá-lo, que é melhor!

Naquele momento, vendo esvair-se a oportunidade de escapar da morte, o marido delator interrompeu o diálogo dos dois e exclamou: "Não se meta, mulher, que o capitão sabe o que faz!"

Um outro episódio ocorrido foi narrado pelo escritor e sertanejo Ulisses Lins. Certa vez, Antônio Silvino passou pela Fazenda Pantaleão, uma propriedade de Albuquerque Né, o avô de Etelvino Lins. Como o cangaceiro não o conhecia, apenas cumprimentou-lhe à distância, tirando o seu chapéu.

Quando foi informado de quem se tratava, no entanto, Antônio Silvino voltou para pedir-lhe desculpas, humildemente, por ter passado em suas terras armado, justificando isto pela vida de riscos que levava, fugindo sempre dos inimigos e da polícia. Dessa forma, mesmo considerando o crime como uma banalidade, o cangaceiro sabia respeitar a autoridade e a lei dos coronéis-fazendeiros, em verdade, os mais poderosos de todos.

Ele chegou a ser chamado de "bandido cavalheiro". Mesmo não perdoando aos inimigos, ele adquiriu fama por proteger as pessoas simples e humildes: as mulheres, as crianças, os doentes e os idosos. Um poeta popular sertanejo, na época, sobre ele escreveu:

Antônio Silvino é
Cangaceiro do sertão,
Mas não ataca a pobreza,
Antes lhe dá proteção;
Mas tem orgulho em matar
Oficial de galão.

Um outro poeta popular deixou o seguinte cordel, como se fosse o próprio Antônio Silvino falando:

Já ensinei aos meus cabras
A comer de mês em mês,
Beber água por semestre,
Dormir no ano uma vez,
Atirar em um soldado
E derrubar dezesseis.

O governador de Pernambuco, general Dantas Barreto, frente aos imensos prejuízos causados pelos cangaceiros no interior do Estado, decidiu decretar a mobilização da polícia. Foram despachadas para o sertão, então, inúmeras forças volantes, com o intuito de combater o bando de Antônio Silvino.

O delegado do município de Taquaritinga, alferes Teófanes Torres, comandante de uma das forças volantes, desconfiou que o famoso cangaceiro estivesse escondido na fazenda de Joaquim Pedro. E quando empreendeu uma busca dentro da casa, percebeu que um grande carneiro tinha sido abatido e estava sendo preparado na cozinha do fazendeiro.

A partir daí, o alferes ameaçou fuzilar o dono da propriedade, caso ele não revelasse, de imediato, onde se encontrava Antônio Silvino. Uma das filhas de Joaquim Pedro, apavorada com a situação, implorou: "diga a verdade, papai!" O fazendeiro terminou falando, então, que o bando se encontrava bem perto dali, à beira de um riacho; e o delegado ordenou que a tropa seguisse até o local e pegasse o cangaceiro vivo ou morto.

O caminho indicado, no meio da caatinga, em Lagoa da Lage, Santa Maria, Pernambuco, era um entranhado de espinhos, mororós, xique-xiques, facheiros e galhos secos de jurema, ferindo todos os que tentavam abrir a picada. Mas, a despeito das dificuldades, no dia 28 de novembro de 1914 ocorreu o último encontro de Antônio Silvino com a polícia. No tiroteio, muitos morreram e poucos conseguiram fugir. Já baleado e para não ir preso, Joaquim Moura, o lugar-tenente do cangaceiro, se suicidou com um tiro de rifle. O confronto durou cerca de um hora, o tempo que o bando esgotou a munição das cartucheiras.

Percebeu-se, de repente, que Antônio Silvino estava correndo cambaleante, como se estivesse ferido. Em verdade, uma bala de fuzil havia atravessado o seu pulmão direito, indo sair na região sub-axilar. Sangrando, ele conseguiu chegar à residência de um amigo, pediu que chamassem a polícia e, na presença desta assim falou: estou entregue! Tinha 39 anos de idade.

Ele foi preso na mesma hora e levado para a Cadeia de Taquaritinga. Porém, como estava muito ferido, teve de viajar a cavalo, dentro de uma rede, por cerca de 40 quilômetros, até a estação ferroviária de Caruaru. O destino final era a capital do Estado.

Como recompensa ao heroísmo pela captura do "Mussolini sertanejo", o general Dantas Barreto promoveu o alferes Teófanes a tenente; a alferes, o segundo-sargento José Alvim; e, a cabo, todos os demais praças que participaram do confronto com o bando.

Do município de Caruaru, Antônio Silvino foi transferido para a Casa de Detenção do Recife. Veio em um trem especial da Great Western, onde uma multidão o aguardava: todos queriam ver, de perto, o tão falado cangaceiro.

No entanto, Antônio Silvino se encontrava abatido, em decorrência da hemorragia que tivera, estava inquieto, com dificuldade respiratória, e ardia em febre. Os médicos diagnosticaram pneumonia traumática e aplicaram seis ventosas secas sobre o seu hemitorax direito. Posteriormente, deram-lhe injeções de óleo canforado e estriquinina. O doente ficou mais calmo, respirando melhor.

Antônio Silvino se tornou o prisioneiro número 1122, da cela 35, do Raio Leste. Por vários processos, pelos vinte anos de opção pela vida no cangaço, foi condenado a 239 anos e 8 meses de prisão.

Na cadeia, teve um comportamento exemplar e decidiu aprender a ler e escrever, aproveitando as horas do dia para fazer algo útil. Nos intervalos das aulas, fabricava abotoaduras, brincos e pequenos artefatos de crina de cavalo, ganhando algum dinheiro com a venda desses produtos.

Passou a ser objeto de estudos e pesquisas, principalmente de alunos da Faculdade de Direito do Recife. Entretanto, não gostava de recordar o seu passado.

Em certa ocasião, recebeu a visita de José Lins do Rego, um jovem advogado cujo desejo era o de se tornar um romancista. Outras vezes, foi procurado por Luís da Câmara Cascudo, Nilo Pereira, José Américo de Almeida, entre várias personalidades importantes. Quanto aos jornalistas, o ex-cangaceiro se recusou, sistematicamente, a recebê-los.

Antônio Silvino passou vinte e três anos, 2 meses e 18 dias recluso. Mas, após esse período, recebeu um indulto do Presidente Getúlio Vargas. Na época, ele declarou:

Minha vida todo mundo conhece. Vinte e três anos de reclusão alteraram o meu destino. Mas, diga lá fora, que eu nunca roubei, nem desonrei ninguém, e, se matei alguma pessoa, foi em defesa própria, evitando cair nas mãos de inimigos.

Saiu feliz da vida da prisão, como um passarinho que escapou da gaiola. Tinha 62 anos de idade.

Liberto, ele decidiu andar pela rua Nova, olhar as vitrines, ir até à Sorveteria Pilar, conhecer a praia de Boa Viagem, admirar Recife e Olinda. Chegou, inclusive, a conhecer o Rio de Janeiro e o Presidente Vargas.

Desejando se estabelecer no interior do Estado, Antônio Silvino resolveu mandar uma carta para José Américo de Almeida, um político de renome na Paraíba, solicitando-lhe um emprego, por conta dos "seus serviços prestados ao Nordeste". Mas, o escritor e político jamais lhe respondeu a carta.

O ex-detento viaja para o sertão da Paraíba. Ficou vagando de cidade em cidade, se hospedando nas casas de alguns amigos antigos, porém jamais obteve recursos financeiros para comprar a tão sonhada pequena propriedade e dedicar-se de corpo e alma à agricultura.

Terminou indo viver com uma prima, Teodulina Alves Cavalcanti, que morava com o seu esposo em uma casa modesta na rua Arrojado Lisboa, em Campina Grande, na Paraíba.

Considerando-se que Antônio Silvino permaneceu vinte anos arriscando a vida e enfrentando o perigo no cotidiano, é possível afirmar que o ex-cangaceiro teve uma vida longa. Lampião, por exemplo, foi morto em Sergipe no ano de 1938, aos 41 anos de idade. Na ocasião de sua morte, Antônio Silvino estava cumprindo a sua pena e, quando indagado acerca do ocorrido, ele declarou:

Não me causou admiração porque a vida é incerta, mas a morte é certa. Não me interessam mais esses assuntos de cangaço, pois sou um homem regenerado. Só quero, agora, descanso na minha velhice.

Do perigoso cangaceiro que fora no passado, ele era hoje um homem idoso, mas que possuía uma mente esclarecida e respondia bem à todas as perguntas que lhe faziam. Dele, foi esse depoimento:

Nunca tive medo de morrer em pé, quando campeava pelo Nordeste, mas, agora, deitado, não quero morrer, se bem que não tenha medo do inferno, pois se para lá for, disputarei um lugar de chefe, um posto de comando qualquer. Pro céu é que eu não quero ir, pois, ao que me consta, lá não há campo pra luta, nem lugar para Capitão de mato como sempre fui. Quero viver mais um pouco, mesmo com esta agonia que estou sentindo, com esta falta de ar, com esta falta de conforto.

E acrescentou:

A justiça dos homens me condenou. A justiça da Revolução de 30 me absolveu, dando-me liberdade. A doença agora me prende e eu tenho que aguardar o pronunciamento da justiça de Deus. É ela maior de que todas as justiças da terra.

Antônio Silvino teve oito filhos: José, Manoel, José Batista, José Morais, Severino, Severina, Isaura e Damiana. Ele morreu na casa de sua prima Teodulina, no dia 30 de julho de 1944. Ao lado de uma multidão de curiosos, procurando vê-lo pela última vez, o ex-cangaceiro foi enterrado no Cemitério de Campina Grande. Uma senhora idosa depositou uma coroa de flores sobre a sua sepultura e, uma jovem, um cacho de angélicas e cravos.

Passados dois anos e meio do seu falecimento, nenhum familiar apareceu para a retirada dos ossos de Antônio Silvino. Sem alternativa, os coveiros enterram os restos mortais em um outro lugar do cemitério. Hoje, não se sabe mais aonde.

O que sobrou do Capitão Antônio Silvino, do célebre Rifle de Ouro, se perdeu, em meio a tantas outras ossadas que nunca foram reclamadas. A sua fama, no entanto, registrada pelos poetas populares em literatura de cordel e, por muitos intelectuais, em vários livros e periódicos, permanece viva e intacta em todo o Brasil.

        
Recife, 14 de novembro de 2003.
(Texto atualizado em 14 de setembro de 2007).


FONTES CONSULTADAS:
BARBOSA, Severino. Antônio Silvino o rifle de ouro: vida, combates, prisão e morte do mais famoso cangaceiro do sertão. Recife: CEPE, 1997.

FERNANDES, Raul. Antônio Silvino no RN. Natal: CLIMA, 1990.

MELO, Frederico Pernambucano de. Quem foi Lampião. Recife/Zurich: Stahli, 1993.

MOURA, Severino Rodrigues de. Antônio Silvino. Revista de História Municipal, Recife, n. 7, p.139-142, ago. 1997.

PORTO, Costa. Os tempos da República Velha. Recife: Fundarpe, 1986. (Coleção pernambucana 2ª fase, v. 26). Edição conjunta de Os tempos de Barbosa Lima, Os tempos de Rosa e Silva, Os tempos de Dantas Barreto  e Os tempos de Estácio Coimbra.



COMO CITAR ESTE TEXTO:


Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Antônio Silvino. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.




                                                                     FONTE: fundaj.gov.br



                                                                      postado por tony josé Domingo,19 de agosto de 2012


terça-feira, 17 de julho de 2012

0 Dominguinhos

José Domingos de Moraes, conhecido como Dominguinhos, nasceu em Garanhuns, Pernambuco, no dia 12 de fevereiro de 1941, filho de um famoso tocador e afinador de foles, mestre Chicão.

         Aos seis anos de idade, ainda com o apelido de Neném do Acordeon, tocava pandeiro com seus irmãos Moraes (sanfona) e Valdomiro (malê, espécie de zabumba) no trio Os Três Pingüins.

O grupo apresentava-se em feiras e portas de hotéis de Garanhuns. Numa dessas exibições, em 1948, foi ouvido por Luiz Gonzaga, o conhecido Rei do Baião, que ficou encantado com Dominguinhos e prometeu-lhe uma sanfona de presente se algum dia ele resolvesse ir ao Rio de Janeiro.  

            Em 1954, sua família mudou-se para o Rio, radicando-se em Nilópolis. Dominguinhos procurou o Rei do Baião para cobrar-lhe a promessa, sendo presenteado com uma sanfona nova.

De posse do novo instrumento formou com Miudinho e Borborema o Trio Nordestino, passando a se apresentar em circos e arrasta-pés de pequenas cidades do interior do Rio.

Em 1956, já acompanhava Luiz Gonzaga em shows e gravações. O Velho Lua, seu padrinho musical, foi quem o apresentou ao mundo artístico do Rio de Janeiro na época.

Em 1957, foram a cidade de Vitória, no Espírito Santo, onde aprendeu a tocar outros gêneros musicais como boleros e sambas, para se apresentar emdancings e boates

Foi Luiz Gonzaga que mudou seu nome artístico de Neném do Acordeon para Dominguinhos, pois dizia que seu apelido de infância não o levaria a lugar algum.
Em 1965, Pedro Sertanejo, um dos pioneiros do forró no sul do país (pai de Oswaldinho do Acordeom), o convidou para gravar um disco LP (long-play) dirigido ao mercado de migrantes nordestinos em sua pequena gravadora Cantagalo.
         Dois anos depois, participou de uma das excursões musicais de Luiz Gonzaga como sanfoneiro e motorista, onde conheceu a cantora Lucinete Ferreira, a Anastácia, que se tornaria sua esposa e parceira em várias músicas como Eu só quero um xodó e Tenho Sede, êxitos na voz de Gilberto Gil, que o tornaram nacionalmente conhecido, além de outros sucessos como De amor eu morrerei, Lamento de saudade, Saudade matadeira e Forró em Petrolina.
         Participou de diversos festivais de música nacionais e tem diversos discos gravados. Até 1978, já havia gravado sete LPs.
Suas canções são interpretadas por nomes como Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Velloso, Elba Ramalho, Raimundo Fagner, entre outros.
Tem músicas em parceria com grandes nomes da música popular brasileira como Chico Buarque (Tantas palavras, Xote da navegação), Nando Cordel (De volta pro aconchego, Gostoso demais, Faz de mim, Isso aquí tá bom demais), Gilberto Gil  (Abri a porta Lamento sertanejo)Manduka (Quem me levará sou eu), Fausto Nilo (Pedras que cantam).
         É autor também de trilhas e temas musicais de filmes como O Cangaceiro(Aníbal Massaini Neto) e As Aventuras de um Paraíba (Marco Altberg).
         Na sua longa discografia estão incluídas a composição e gravação de choro, forró, xaxado, baião, coco, quadrilha, entre vários outros ritmos da música típica do Nordeste brasileiro.
O famoso Forró do Dominguinhos além de espalhar-se pelo País nos shows que ele fazia para platéias universitárias, virou um gênero musical. 


                                                         FONTE: fundaj.gov.br 

                           postado por tony josé terça-feira,17 de julho de 2012      

mel de abelha

 
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